terça-feira, 2 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
A solidão desta casa me persegue, é impressionante como ela se move pelos cômodos, pelas paredes, parece que advinha meu pensamento e lá está ela a me espreitar. E é e sentindo só que vivo, eternamente, trancafiada nessas paredes, que mudam de endereço e me acompanham no todo e sempre. São elas a minha maior companhia. E a solidão me ilumina, numa lâmpada azul e fraca, uma luz lânguida, bailando e se divertindo assistindo meus bastidores.
Eu insisto em me livrar dessas amarras, que me prendem a sombra que não é minha. Odeio o vazio que preenche meu quarto, odeio o vazio que brota do meu aparelho de TV na esperança de me entreter e esquecer que não há mais ninguém aqui. Acho que é por isso que gosto de deixara TV ligada a tôa, ouvir outra voz que não a dos meus pensamentos é reconfortante.
Oi, Sahel, você sempre me deixa assim, percebendo tristemente minha realidade. Acordando dia após dia olhando meu teto branco, vendo flores onde não há nada. Sahel, que destino você me ocupa, acompanho, mas não tenho acompanhante. Queria ouvir mais a sua voz, Sahel, saber que o mundo é maior que este quarto, e que há mais almas do que vejo agora.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Neurose
Não engorde
Não emagreça
Seja boa
Seja honesta
Não tenha raiva
Não me faça me sentir mal
Se não tem algo bom a dizer fique calada
A sua dor não é importante se sua pele ficar bonita
A sua dor não é importante se seu corpo ficar escultural
Seja delicada
Seja educada
Não fale alto
Não fale tão baixo
Não fale
Você tem que ser feliz o tempo todo
Não coma porcaria
Não seja vegetariana
Suas mãos devem ser femininas
Use brincos
Use sapatos bonitos e nada confortáveis
Use salto alto e prejudique sua coluna vertebral
Sua dor não é importante se for para ser sensual
Não use roupas indecentes
Não use as roupas da sua avó
Não minta
Não me fira
Aceite meus defeitos
Mas não tenha os seus
Pare de se cobrar
Você tem que conseguir
Só cólica?
Pare de chorar
Não tenha ciúmes
Você tem que me satisfazer
Seja perfeita!
terça-feira, 26 de abril de 2011
o amor é

Descobri que te amo. E que isso tem bastante tempo. Pois é, só soube agora. Pode me chamar de silly, fool. Quem ama, quando ama, fica assim mesmo. E a gente faz tantos planos, imaginamos milhares de beijos, carícias. Gastamos tempo pensando em milhões de jeitos de dizer "eu te amo" sem ser piegas, para na hora dizer apenas “eu te amo”, no modo mais piegas possível, e esquecer todo aquele lindo discurso camoniano preparado com imenso esmero e capricho.
O amor é lindo, une vidas imiscíveis, transforma brigas em guerras, e guerras em acordos de paz. E os acordos de paz são assinados com tintas vermelhas da cor das rosas e dos bombons de cereja. E é assim que me sinto com você, meu amor. Que tudo é possível, que tudo é permitido. Que nós, juntos, formamos uma liga de super-heróis que tudo pode, nós podemos resolver tudo.
E por que te amo? Não que haja uma razão para isso, mas você é minha alma gêmea. Você é meu porto seguro, é a quem eu recorro quando a noite fica mais fria. Você é aquele que me entende quando eu falo, que me escuta quando digo, que me acolhe quando tenho medo. E não apenas isso, afinal a relação envolve reciprocidade. Mas, eu assim espero, que seja a mim a quem você recorra quando a noite fica mais fria, que seja eu que te escuta quando você fala, que eu te entenda, e eu te acolho, sempre que você me buscar. É assim que te amo, querendo te dar conforto enquanto me aconchego no seu colo, dialogando e discutindo sobre tudo que te envolve, me envolve, nos envolve e não nos envolve. É assim que te amo, acendendo uma pequena vela que quebra a escuridão do quarto, e ilumina o nosso amor.
Sinto saudades de você cada vez que abro meus olhos. Sem você meu riso falha, meu coração desnorteia e minha alma perde o canto. É assim, que percebo que te amo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Por que eu escrevo o que você já sabe? Ah, meu amado, meu coração lhe pertence. Eu perdi a conta dos dias, das horas. Só sei que é seu, porque se recusa a obedecer meus comandos. E eu percebi que perdi o controle muito tarde, mas não o suficiente, tive tempo para me render pacificamente. E assim foi, minha rendição se deu de forma inesperada. Quando até você estava cansado de lutar, me entreguei.
A minha sorte cruzou a sua, e nenhuma cigana previu. E quando dei por mim, já estava entregue em teus braços, num emaranhado de emoções. E quando dei por mim, já estava gostando de estar entregue em teus braços, num emaranhado de emoções. A roda da fortuna girou novamente,puxando o laço que nos unia, apertando-me em você. E agora? Eu disse. Agora não tem mais jeito, você respondeu.
O balé apenas começava, mas já estávamos bailando ao som do romantismo tradicional. Dois para lá e dois para cá. Nossos passos compassados fizeram a trilha do que somos hoje, e do que seremos amanhã. E a batida da música que dançamos é a do coração.
Te amo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sobre a meditação
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Primeiro diálogo
— O que é a justiça? Justiça é a característica que atribuímos àquilo que é justo, e que não há naquilo que é injusto.
—Mas, professor, como saber o que é justo e o que é injusto sem saber o que é a justiça?
— Justiça é um valor social essencial à vivência em sociedade. Por isso a noção de justiça é humana, existe em qualquer época, qualquer sociedade. E como ela é determinante à vivência em sociedade, muitos alegam a justiça ser apenas um valor subjetivo, um nome dado à deontologia de uma sociedade.
— Mas faz sentido que a justiça seja nada mais que um valor ético-moral que cada sociedade constrói para si.
— E faz sentido que haja um homem que não viva em sociedade?
— Hum, mas é possível, não é, professor?
— É? Seria novidade para mim que algum ser humano na face da Terra, sem que haja qualquer força maior que o obrigue a permanecer isolado, viva fora da sociedade. O ser humano, já dizia o Filósofo, é um ser necessaria e essencialmente político. Sabe de onde vem a palavra política?
— Roma?
— Não. É palavra de origem grega: pólis, assim chamavam os gregos suas cidades-Estado. Ou seja, político é aquele que vive na cidade, que participa da cidade. Um ser político é aquele que vive em sociedade na Cidade. Mas Aristóteles não quis dizer que o homem é urbano, mas que é animal social, necessariamente.
— Mas e os ermitões? Robinson Cruzoé?
— São exceções que só provam a regra.
— Mas são modos de sociedade diferentes, professor. A justiça pode até ser resultado da vivência social, mas se ela é uma, não deveria mudar de acordo com a organização e a moral de cada sociedade.
— Quem disse que muda? A justiça não é não lesar os outros, dar a cada um aquilo que lhe é seu e viver honestamente? Mas a justiça, ao ser aplicada, depende do que os povos tem por ser de cada um, o que é uma vida honesta e o que não lesa os outros, percebe? E são muito parecidos esses valores entre os povos, é só questão de saber como é aplicada a propriedade em cada sociedade.
— Propriedade?
— Sim, meu caro. Pense, se a justiça está em dar a cada um o que lhe pertence e não tomar o que não lhe pertence, os pertences são vistos como propriedade. Assim, se a esposa é visto como propriedade, o adultério é tido como injusto. Se as terras são vistas como propriedade absoluta, qualquer invasão ou atentado é tido como injusto. Quanto mais minuciosas são as leis que deveriam garantir a justiça, menos próximas da verdadeira justiça elas são, porque a justiça pressupõe princípios, e não regras detalhadas.
— Entendo, mas então as regras seriam desnecessárias para a justiça?
— É óbvio que não. A justiça precisa ser regrada dentro de uma sociedade para evitar abusos. Em primeiro lugar, aqueles que lidam em aplicar a justiça precisam, primeiramente, entendê-la, estudá-la, saber como ela é aplicada nas diversas sociedades, através do tempo e espaço. É por isso que, pelo menos nesta faculdade de direito, não aprendemos a ler o código, afinal isto toda pessoa devidamente alfabetizada o faz, mas aprendemos a trabalhar com a lei. O profissional de direito que decora a lei e estuda por ela corre o risco de não saber utilizar a funcionalidade jurídica dela, e não desenvolve raciocínio jurídico.
— Entendi, mas então todas as regras jurídicas são necessárias?
— Não necessariamente. Existem dois tipos de normas, as chamadas dispositivas, que podemos abrir mão, ou, pelo menos, que não faz diferença entre optar por fazê-la assim ou assada. Por exemplo: a lei de trânsito que regulamentou que os carros devem andar na mão direita é dispositiva, prova maior é que na Inglaterra a mão do motorista é a esquerda e uma não é mais justa que outra, é só para fins de organização. Entretanto, após se fizer essa opção é injusto o ato da pessoa que ande pela mão esquerda, não porque andar pela mão esquerda é injusto, mas porque a regra visa um fim para o bem da organização social, à qual ela também é submetida, e é injusto que ela, sem motivo justo, contrarie essa regra.
— Quer dizer que as normas dispositivas são as que podemos dispor como quisermos porque não há justiça maior numa das opções. Mas e qual é o outro tipo de norma?
— As outras normas são àquelas em que há justiça na opção, sendo as outras menos justas ou inconvenientes. Por exemplo: a norma que proíbe matar outra pessoa. Faz toda a diferença para o convívio social uma opção divergente dessa, não?
— Ué, mas e, por exemplo, no caso de legítima defesa?
— Alguém que se defende de uma agressão injustificada, desde que numa medida compatível com a própria agressão, não é alguém que defende o que é seu, sua vida, e impede que outra pessoa lhe prejudique e viva desonestamente, não pode ser considerado injusto.
— Professor, deixa eu ver se entendi. As regras são pautadas nos princípios que regem a justiça, certo?
— Certo.
— Os princípios são: não lesar terceiros, viver honestamente e dar a cada um o que é seu. Certo?
— Basicamente sim. Não esqueça que há mais princípios, mas esses são os principais.
— Enfim, e as regras são necessárias para as pessoas saberem o que devem, o que podem e o que não devem fazer, porque apenas os princípios não são suficientes, certo?
— Sim. Mais dúvidas.
— Acho que não.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
what i am
do equilíbrio
do nome dos céus
Eu sou o ponto
que converge tudo para o nada
que converge o nada para o tudo
Eu sou o que preciso ser
Eu sou o que precisam que eu seja
Eu sou a espada que rege a justiça
Eu sou a balança que rege a espada
Eu sou a venda que rege a balança
Fecho o ciclo
e reinicio
E reinicio o ciclo
outro ciclo.
Aprendo a ser
o que precisarei ser
e treino
e treino
não por repetição
mas pela abstração.
Eu sou o som da mudança...
domingo, 5 de setembro de 2010
Vá à vida
não mesmo, esses seus olhos não podem enganar ninguém,
eles não são seus,
eles enxergam e observam não o que você quer,
mas aquilo que você precisa.
Eu sei que dói,
mas não fui eu quem decidiu isso.
Não fui eu quem disse que seria fácil,
por que você achou que não seria assim?
Ah, você não achou;
e quem não gostaria que a vida fosse mais fácil?
Carregue sua cruz sem reclamar,
você vai sangrar muito mais ainda.
Ah, querida, meu amor, te aviso
você vai sangrar tanto que suas veias vão sumir.
Cada navalha que cortará sua garganta não virá desconhecida,
pare de tentar desviar de si mesma.
Pare de ter medo de perder,
pare de ter medo de cortar seus pés,
você sabe que sua trilha foi feita de vidro.
Você gosta do triste porque o acha belo.
Você carrega em si o ponto do mundo.
Seja o que tem que ser,
abandone suas fantasias,
deixe para trás o que te prende.
Lembre de suas asas,
volte a voar guiada pelos ventos.
Os céus reinam no seu coração.
Vá, meu amor, vá para a vida.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Diálogo com a inconsciência
Confie mais no que você é.
Admita suas derrotas, você será derrotada muitas vezes. Aceite seus fracassos, eles só provam que você é humana. Você não pode ser perfeita. Você errará muitas vezes com quem você ama e ferirá a todos a sua volta.
Você já foi um ser de luz, até que se deixou tomar pelas trevas e perdeu tudo. Você sabe a sensação de perder tudo. Não sobrar nem a si mesmo.
Você vem para reconstruir.
Você vai sentir muita dor, ainda. Faz parte de você.
Desapegue-se do mundano. Eu compreendo suas necessidades humanas, meu amor, mas elas te fazem mal. Elas fazem mal a quem você ama. Sublime.
- Meus ombros pesam
É o peso do seu mundo. Você tem que aprender que mais nada pode pesar aí ou será tirado de você.
- Por quê?
Porque só sua missão pode fazer diferença. Sua mente levita, você o viu. Ele quer isso de você, seus olhos estão sobre você. Essa já é a terceira vez que você vem. Não faça as escolhas agradáveis, faça as escolhas ceras. Levite.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Carta de Amor
A tua face me traz a calma necessária para não impedir que minhas lágrimas borrem a pena. Teu sorriso, meu amor, teu sorriso me dá o mundo que espero ver por teus olhos quando as grades se esfarelarem. É por ti que hoje alimento este corpo que tanto odeio, por ser de quem é, e por ser a causa de todo nosso sofrimento, mas que sem ele não posso viver e te amar. Quisera eu cerrar meus cabelos, e cegar-me, tornar-me inútil àquilo que deveria servir, para ter o poder de abandonar meus grilhões para amar-te, meu amor.
Não hei de lhe tomar o escasso tempo da juventude, cerrar-me-ei por ti; mas não serão minhas tranças as vítimas de tamanha transgressão, mas meus olhos. Hoje morro por ti, deixe que me chorem, e depois resgate meu corpo da tumba da qual não pertenço.
Da sua Julieta.
terça-feira, 11 de maio de 2010
Carta ao papai que está no céu
Conversador do jeito que é, aposto que já fez amizade com São pedro. Reclamou para ele que só chove no meu aniversário? Porque esse ano não choveu, daí eu falei para a mamãe que foi você que pediu a ele para ter sol.
Que saudades, papai. Faz tempo que você subiu para aí, acho que essa carta nem vai chegar para você, porque o carteiro me disse que só iria para aí quando fosse a vontade de Deus, isso deve ser desculpa, esse carteiro deve ter medo de altura.
Tirei dez nessa prova de matmática, não prometi que ia tirar? Cumpri, igual você me diz, sempre cumprir o que prometo. Amanhã sai a nota de ciências, acho que tirei outro dez. Você disse que se eu continuasse assim, um dia poderia ser astronauta também, não é papai? Estou tentando.
Te amo, papai.

