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domingo, 16 de junho de 2013

A boneca.

Eu sou pedaços desencontrados de cerâmica, que um dia formaram o desenho do meu sorriso, e ontem se encontravam espalhados pelo chão. E hoje tento juntar minhas mil migalhas varridas para o canto do quarto, e achei um pedaço do meu coração no meio do farelo do cérebro. Este se espatifou e se moeu, de tanto pensar e sem achar solução.

Meus delicados dedos de porcelana encontram-se desencontrados pela tua escrivaninha, com os esmaltes gastos pelo tempo que esperei para tocar na tua mão. Esperam a oportunidade em que você colocará cada dedo meu no devido lugar na minha mão, refazendo meu toque e meu tato sobre ti.

De íntegros apenas restaram meus olhos, melados pelo dissabor do rompimento do meu ser. Mas que mantém ainda o poder se observar o seu arredor e julgar com todas as forças. Meus olhos melados que te guardam ao som de blues, e despejam sua surpresa sobre o mundo.

E amanhã eu comprarei cola, para consertar minhas pernas.  E poder seguir em frente, pelos caminhos que escolher. Junto meus cacos, e vejo como posso me refazer da queda.


Ser uma boneca de porcelana tem suas desvantagens. 

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Do coração e da mente

O meu coração é como um desses relógios velhos, cheio de engrenagens interligadas que só funcionam em conjunto. Por isso digo que não adianta roubar umas poucas delas, só poucas não fazem meu coração bater. Mas o fazem parar. E quando ele para minha vida perde a cor, sem sangue bombeado para alimentar os olhos, nem as pernas para andar e olhar em outras direções.

Mas como um velho relojoeiro, conserto o coração, invento novas engrenagens, gambiarro as interligações, e ponho tudo a perder de novo. Coração batendo, vida seguindo, lágrimas rolando. E assim meus passos seguem, robotizados, afinados e sintetizados por um coração cheio de engrenagens.

O coração cantarola sua música enferrujada, rangendo sua amargura e entoando seu triste canto por todos os cômodos que entra. A presença de tal ruído assusta num primeiro momento, depois desanima todos os seus expectadores e os transporta a um estado de plena compaixão e melancolia.

Pobre coração, esse meu. Todo reinventado para continuar batendo, todo cheio de peças não-originais, fora de seu modelo e que não encaixam tão bem. Todo remendado, costurado, superbondado para ficar inteiro, parece uma dessas obras de arte feitas com cascas de ovo, que de encaixam, mas não estão mais contínuas. Ah sim, porque hoje eu estou cheio analogias, e de neologismos, mas tudo tem sua razão. Por hoje minha voz foi cortada sorrateiramente, e tudo que é importante para mim se tornou seu gole amargo de café frio.

E nisso minha mente constrói grandes pontes e arranha-céus, tentando olhar de longe e de cima, de uma nova perspectiva para entender o que se passa com esse coração. E minha mente é um helicóptero, um mosquito grande e audaz, que é capaz de parar no ar, voar para onde quiser e pousar em quase qualquer lugar.

Minha mente é um helicóptero de guerra, armada, com metas e objetivos, bombas e soldados. Minha mente é feita para a guerra.

Mas não qualquer guerra, mas a guerra de pensamentos, de argumentos, de encanamentos e de chamamentos. E eu perco, perco mais e mais. Batalhas e mais batalhas perdidas, mesmo as ganhas. Porque não sinto que as ganhei. Talvez nem queira sentir o sabor da vitória da guerra , ou talvez já senti e não gostei. Não sei.

É essa a guerra entre a mente e o coração, os dois sentem que perdem, e os dois caem ao final. belo espetáculo. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sonhei...

Sonhei com você,
Sonhei que sairia dos meus sonhos
e me encontraria aqui
Prostrada
Esperando uma outra oportunidade
de recomeçar.

Sonhei que você não iria dirigir meu carro
Mas você era o responsável pelos mapas, pelas rotas e pelos destinos.
E você saiu dos meus sonhos
e traçou uma nova rota,
para mim.

Sonhei com você,
com o teu sorriso moleque,
com cabeça cheia de asas, pronta para voar.

Sonhei com você,
E mesmo acordada, continuo sonhando.
Sem acreditar na realidade.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Piangeme un fiume

Ciao, Morte. 
Qui noi ci guardiamo, uma volta più, in mezzo de questo nero fango, nero come la notte. 
Io non piangerò una volta più, non in questa volta più. 
Non è più Il momento, questo è finito. Il momento è perso in mezzo al passato. 
Il passato inerte ed imperceptibile de quella fiore. 
O passado inerte e imperceptível daquela flor. 
La fiore Bianca, Che outrora era apparteneva degli amanti, ma oggi appartenga a te.

Ciao, Morte.
Nostro raporto è diventato troppo intimo,
Troppo invasivo,
Troppo perturbadore.
Ma non sono io,
Il problema, chiaramente, sei tu.

Dai, Morte.
Tu sei come un jazz cattivo.
Il suono è divertente, ma la lettera è deprimente.
Andiamo a ballare un pò.
Andiamo a fare della nuostra vita un bel posto
Voglio parlarte del jazz, dellla musica, della morte.
Ci vediamo un altro giorno, Morte.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

feliz

você me faz feliz
feliz como nunca imaginei que seria
e como nunca desejei ser...

é amor?
sim.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Dobradura


Um papel que bebe a tinta da vida e escreve
a nossa história
Tão bela, tão curva e tão certa. 
E eu achei hoje esse papel, e dele fiz dobradura
inventei a flor que recebi na rodoviária 
inventei o barco que vagou pelas ilhas no mar
inventei e inventei
e por fim dobrei em carta. 
Que agora lhe entrego
para dizer que amo você. 
E para dobrar mais uma vez, 
em forma de coração.
Um coração azul, assim como a flor...

********************

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

resposto ao canto dos amores

Eu sou um anagrama,

prolixo e difícil de decifrar

Mas que quando se forja a chave do meu coração me torno fácil

E perco o controle

E me entrego

E amo.

E por detrás dessas lentes sujas

E por detrás da retina de mel

Cá estou, lhe esperando invadir e saber cada pensamento

Cada gesto e cada reação.

Eu sou um anagrama

E você é a dislexia...

... e juntos somos um.



sábado, 21 de julho de 2012

Barbie

Não sou loira,
não sou magra
não tenho a cintura tão fina quanto meu pescoço
não sou alta
não tenho um scarpin rosa choque
não tenho nada rosa choque
não tenho olhos azuis, nem verdes
não tenho cabelos grandes
uso óculos
e roupas largas e indianas
não pinto minhas unhas
nem visto adereços
ando sem maquiagem
ando sem rebolar
ando sem me exibir
como uma Barbie.

Tal é meu crime
não ser a Barbie que você quis
e imaginou.
Não sou a Barbie que você desejou.
Eu tenho vontade própria...
que não vai de encontro à sua.
Eu tenho uma personalidade
que você insiste em rejeitar.
Eu tenho uma vida,
que você prefere negar.

Dê-me a paz que quero

Dê-me a paz que sinto falta
A falta de sentir companhia no teu silêncio
E a falta de sentir solidão na tua voz.
Dê a paz que mereço, só peço
O teu individualismo sufocou o que sobrou da nossa relação
Eu pedi um dia a tua alegria
Mas só recebi cobranças
de dívidas que nem sabia ter assumido.

Não peço mais...
agora só quero a calma na tua presença
e a paz na minha solidão.
E que você dê minhas dívidas por quitadas,
afinal já lhe prestei gratidão.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Olá para você

Olá para você, que conquistou o meu amor
que consegue me fazer sentir
borboletas e
formigas ao mesmo tempo
no meu estômago
causando tamanha profusão

Olá para você, que me faz me sentir feliz
e escolhida
e suficiente por ser assim, incompleta
do jeito que gosto de ser
sem a obrigação que todos parecem cobrar
menos você
de ser perfeita

Olá para você, que eu amo tanto
que eu chamo de goofy goober e que
sorri

Eu já nem sei como acredito que achei alguém alguém como você
e que ainda fiz a façanha de te acompanhar por uma vida
Tenho medo de acordar
e tenho medo de ir dormir e você ir
embora
Porque eu te amo.

sábado, 9 de junho de 2012

A bolacha

É a sensação de ser a última bolacha do pacote...
quebrada
murcha
úmida
dessaborosa
e difícil de arrancar do pacote,
ainda mais porque a fome já foi saciada.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

L'amore

É a brisa que paira e derrama sua chuva
sobre meu coração, antes seco,
e que agora transborda néctar e sucos


Às vezes aparece um ou outro beija-flor
que me encanta com sua solidez em pleno ar
e que me faz me sentir menor que sua pena
tal sua grandiosidade


O beija-flor sempre retorna, por mais que goste dos outros jardins
E nunca me deixa
e sempre retorna
como que para me enfeitiçar. 


Mas um dia o beija-flor vai embora
e é o ciclo da vida, 
para que não falte néctar a seus filhos. 


E eu sigo...
No jardim do meu coração
abalado pela garoa incessante que o alimenta


Encontro uma bromélia
Uma maldita bromélia no meu coração
como eu desejei que nascessem cravos e mais cravos
mas só nasceu a bromélia, no alto do ipê. 


Fico escondida aqui, no meio do jardim
crente de que ninguém vai me perceber
disfarçada no meio das flores azuis...