As saudades reverberam meus sentidos, meu tato busca tua pele, minha audição, tua voz. E quanto tempo ainda minha imaginação, miscigenada com nossas memórias, hão de te fazer as vezes, hão de ter que segurar meu coração, hão de absorver as lágrimas que insistem em aprender a voar?
As saudades causam terremotos em meus cílios, os quais buscam no horizonte algum caminho para o céu. Meus olhos abalroados pela vista infinita se fixam no chão, buscando as migalhas de pão deixadas na última caminhada.
As saudades fazem solução da minha garganta, dissolvendo minha respiração e retardando o bombeamento de sangue para minhas mãos... Estas se encontram letárgicas, aguardando a vivacidade de outrora para quando se encontrarem nas suas costas.
As saudades delineiam o contorno do meu rosto, cometendo graves expressões e apontando formas e atos novos para meu semblante. Este sorri pelas lembranças e resta nostálgico pelo presente.
As saudades me chamam e brincam com meus sentimentos, e transformam tudo em desejo; O desejo de te ver de novo.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
Pele
A minha pele dilui seu encanto e te chama, aqui.
A minha pele sardenta, sangrenta e santa,
Em chamas.
A minha pele alivia a dor de ser de carne e choro.
A minha pele me esconde da vontade do mundo, e da tua.
A minha pele se fez de casaco, para te agasalhar nos dias
frios.
E se fez de bolsa, guardando o meu coração pra você levar.
O toque, a tecla, o tique e a mão atada servem minha pele.
Na tentativa de te tentar...
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
O jazz do coração
E as batidas do meu coração ressoam como sinos na
madrugada gelada, causando calafrios nos ouvintes solitários, causando
balbúrdia nas ondas sonoras com as quais cruza. Ouvem-se com perfeição cada
toque de hora, mas não é uma hora comum. A minha hora não se reúne em minutos,
nem em segundos, mas em risos. E cada hora passa mais rápida ou mais
lentamente, a depender da distância entre a tua presença e os meus sentidos.
E como um trem a vapor, segue quase descarrilando, deixando-se
torrar pela caldeira quente em que minha linfa se transformou. Apitando próximo
às aldeias, chamando teu nome com um assobio forte, quem sabe em qual delas
estará?
Segue,
Maquinista, segue avante, diz-lhe meu som. Ponha lenha na minha caldeira,
deixe-me queimar, deixe o fogo consumir o que restou de mim.
Mera ferrovia,
esta é a definição da minha esperança,
e as batidas do meu coração seguem soando, trilhos afora, o que espero do futuro. Expectativas
devidamente demarcadas entre duas paralelas de ferro, e estas dão a volta ao
mundo.
E meus trilhos
dourados, assim como os tijolos de Dorothy, levam-me ao destino, levam-se ao
acaso, levam-te junto. Seguindo pelos belos campos, subindo montanhas, descendo
penhascos, em alta velocidade, e apreciando a paisagem que construímos pingo a
pingo, numa linda pintura pontilhista.
E meu coração
direciona o som de seu tamborilar, per-seguindo outro trem, que emite outro
som, outras batidas de outro coração.
sábado, 3 de agosto de 2013
As lembranças
Minhas
lembranças acumuladas me animam o corpo, forçam meus músculos à contração, à
distração e a concentração. Concentro-me em ti, em mim, e no mundo.
Concentro-me no ambiente do qual escapo agora, e do qual (ao mesmo tempo)
me agarro.
Minhas fibras
musculares deslizam com facilidade pelas metáforas que crio, pelas imagens sinestésicas que descrevo, sentindo no
cheiro a tua pele, tateando as cores do teu cabelo, observando com calma a tua
voz. Meus sentidos se misturam e nada percebo como se tudo fosse.
Traciono minhas
memórias tentando infrutiferamente te reconstruir na minha íris, dentro do box
do chuveiro, dentro do cheiro do meu sabonete. E eu me arranho, cavo minhas
unhas arrancando a derme que me cobre, arrancando os pelos que me eriçam, sou
carne e sangue para mostrar. Sou a carne tenra que enche a boca das feras todas
as noites, alimento dos lobos selvagens.
É assim que me
vê todas as noites, sem pele e com sangue escorrendo. Meus músculos e tendões
expostos, meu coração e meu fígado expostos, meus ossos e meus pulmões
expostos. É assim que me sirvo aos lobos selvagens, é assim que alimento aos
meus.
Foi assim que
quis aparecer todas as noites, sem armadura e com lágrimas nos olhos. Meus
desejos e vontades expostos, meus sentimentos e emoções expostos, minhas
estruturas e fôlego expostos. Foi assim que resolvi encarar o mundo, foi assim
que resolvi cuidar de quem amo.
Sou uma
marionete, um Pinòcchio desejando ser menino de verdade, mas não tenho cordas.
Tenho história, passado e futuro. Meus movimentos foram milimetricamente
calculados, e ainda assim saí da rota planejada. Ah, essas marionetes que
desejam sem meninas de verdade! Ah,
essas marionetes que pensam ter vontade própria e mudam seu destino sem sequer
perceber.
E como toda boa
poeta inconsequentemente escrevi meu futuro num rascunho de papelão, o qual
delicadamente contorci para dentro de uma garrafa e lancei ao mar, na esperança
de que alguém a apanhasse e se compadecesse de mim.
E agora, poeta?
Responde-me que fará com meu rascunho. Meus olhos se cerram por hoje, mas
abrirão e lerão meu papelão de rascunho com calma quando terminar.
sexta-feira, 26 de julho de 2013
A poetisa
Eu nasci assim, com penas no lugar dos dedos, com tinta no
lugar de sangue, com metáfora no lugar da lógica. Meus neurônios não se
conectam, mas se consolam. E choram, e amarguram, o triste fim da poetisa. Ó
querida, cadê teu orgulho? Cadê tua poesia? Foram embora, respondo com calma.
Fui abandonada pela inspiração, pela transpiração da escrita, pelo tremor da
noite que me consumia os nervos. Fui deixada pela lava que outrora queimava a
sola dos meus pés e me lancinava a calma. Cadê aquele fogo que me atormentava?
Cadê aquela quentura que me incitava a choramingar, a respingar minha alma pelo
chão.
Mas não, ora percebo que o inferno ainda está sob meus pés,
ora vejo que a brasa derrete minha pele e lambe meu calcanhar. Triste poetisa,
escreva teu nome na areia e assista à onda do mar apagá-lo, e repete, repete, repete. E
repentinamente perceba que o mar cada vez menos apaga teu nome, e que deixa tua
marca no mundo. E o teu sangue azul
risca o céu, confundindo-se com o reflexo do oceano, e os teus dedos de pena
desenham a tristeza no oceano, refletindo-a
no céu.
E segue tudo azul, tudo blues, ao som de Nina Simone, ao som
das nuvens no céu, que reproduzem calmamente as ondas do mar. E a minha língua
sufoca, incha-se de frases não ditas,
perguntas não feitas, dúvidas
respondidas pela imaginação. E a
minha língua se contorce, soletrando o alfabeto do futuro. E a minha língua
desinfla, aliviando o peso dos planos outrora abortados. Cerro os dentes, a fim
de segurar comigo as lembranças mal dormidas da minha história.
Mas para que tanta história, Poetisa? Por que guarda seus
livros anuais de acontecimentos e aborrecimentos? Por que conserva tua caixinha
de bobeiras, cheia de embalagens dos sorvetes tomados na tua vida toda? Não
posso me dar ao luxo de responder a todas essas questões, não preciso de motivo
para guardar o que eu acho que usarei no futuro, e do que tenho certeza que uso
no presente. Não hoje, hoje a nostalgia transcendeu a minha alma de poetisa,
hoje minhas sapatilhas de bailarina estão cobertas pelo meu sangue, riscando o
palco com meu balé provinciano e desenhando meu rosto. Não hoje, hoje choro
minhas faltas, implorando pela redenção que nunca chegou, pagando pelos pecados
que não cometi, pelas promessas que cumpri, pelos meus acertos, por tudo que
ainda resultou no meu fracasso. Hoje não, hoje eu sou mistério policial, hoje
eu sou feita de elementos surreais, hoje eu cansei.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
O Vestido
E o meu coração
resolveu bater forte hoje. E no meu vestido se percebe a marca da aceleração do
pulso, marcando o tecido e desenhando espirais pelas minhas curvas. Pernas
eriçadas e pelos cruzados, esperando.
Ó Édipo, tu
mataste a esfinge que havia em mim, desvendou os mistérios do portal Tebano,
transformastes-me na filha de Asopo, tiraste-me a inquietação para introjetar o sossego nas minhas
artérias.
E o meu
vestido roda sozinho, sem qualquer vento, sob a bandeira nacional, parece até
que tem vida própria, bailando ao som do teu riso e comemorando tantas
despedidas quantas forem necessárias, sabendo da brevidade de cada uma delas.
As linhas do
tecido formam uma trama forte, um verdadeiro emaranhado de ideias,
complicações, sentimentos e sensações, desfiando as mazelas do cotidiano, bem
como, desfilando a última moda parisiense nas calçadas.
-Que bela moda, da mais alta costura.
Transformou em boneca de luxo aquela menina de porcelana arranhada.
- Que bela moda, muito mais refinada. Agora
todos desejam ser menina encantada.
E o tecido fora
tingido, antes mesmo da tosa, tingido pela alegria do sol, e pela seriedade da
lua. Tingido pelo sorriso do campo e pelas pegadas da ovelha. Tingido pelo
menino do pastoreio, que afagava aquela lã preciosa e bruta com amor. E quando
a lã foi retirada da ovelha, e quando a lã foi fiada e tramada, e quando a lã
virou tecido, já restava impregnada a sua cor.
Em vão tentou a
costureira moldar teu corte, em vão tentou a costureira tirar-lhe a vivacidade,
que sempre existiu no vestido. Ele nasceu para ser assim, vívido, radiante,
contagiante. É um tecido de bolinhas, feito catapora, que adoece todos os corpos que o vestem, contaminando-os
com sua alegria esporádica e frequente (ao mesmo tempo). E todos aqueles corpos
enfermos, cheinhos de pintinhas, cheinhos de risinhos, cheinhos de canções e
feijões mágicos, fluíam despercebidos pelo trânsito, feito epidemia, feito
pandemia. Uma invasão invisível e terrível na alma humana.
E o vestido
seguia pelo salão, bailando solitário, aguardando o paletó para dançar colado,
aguardando que o paletó lhe trouxesse sua bebida refrescante, aguardando que o
paletó (aquele paletó específico) lhe acompanhasse até o guarda-roupas para o
enlace. O paletó de sarampo.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Reflexos
A minha vida é como uma sala de espelhos, dessas que têm em
parques de diversões, com muitos espelhos que te engrandecem, encolhem,
emagrecem, engordam. Espelhos líquidos, em que se deve ter a cautela de não
encostar, caso em que poderá (sem querer)
cair do outro lado. Não se saberá o que é real, e o que é fruto da imaginação.
E a cada espelho me enxergo diferente, ora mais econômica,
ora maior. Assim como minha imaginação, ora águia, ora pardal. Mas sempre
criando por aí, sonhando, desenhando belos olhos num pedaço de papel. E por
esses olhos que desenho que enxergo o mundo, do outro lado do espelho, e vejo o
mundo em cores inexistentes no mundo real, cuja frequência é imperceptível ao
cérebro humano. Mas apenas visualmente imperceptíveis, dado que no lado real do
espelho se percebe o tato e o olfato, apenas com outros sentidos.
Desta forma somos reflexos de nossas percepções, dos nossos
sentidos e dos nossos sentimentos. E somos espelhados, frutos de tais reflexos,
nas ações e nas palavras que cotidianamente exprimimos um pouco mais a cada
dia. E somos reféns, das consequências das ações e das promessas ditas em razão
dos tais reflexos. Escolhas feitas de forma intensa e sob circunstâncias
únicas, visando tornarmos reféns de uma situação pretendida há muito.
Por assim, torna-se refém da própria liberdade, antes uma
imposição, mas agora uma escolha. A liberdade consiste nas escolhas. E hoje em
dia podemos escolher tudo, o que dizer, o que comprar, para onde ir, e para
qual espelho olhar. A língua italiana
tem um verbo fabuloso, specchiare,
que significa exatamente se olhar no espelho. E eu me specchio
todos os dias, apreciando as mudanças que causei, e me deleitando com a
coautoria do meu próprio reflexo.
E o que é real? E o que é imaginário? Já não posso mais
dizer, ambos planos se fundiram, formando um mundo só, o meu. Procuro com
delicadeza aprender a distinguir o que existe daquilo que criei, e sigo como
Ismália.
sábado, 22 de junho de 2013
Esfinge
E os meus pensamentos voam longe, feito andorinhas, tentando
adivinhar os meus futuros conforme esbarro nas encruzilhadas da vida. Mas assim
como uma andorinha não faz verão, cada um que se passa na minha cabeça não me
toma. E a minha mente continua seu passeio pelas possibilidades, pelas
catástrofes e pelos jardins. E a minha mente continua seu passeio, sem a
paciência de outrora, com medo da pressa imperfeita, com medo dos monstros que
me espreitam, com medo dos cacos da flor de vidro que derrubei no chão. E a
minha mente continua seu passeio, entre os arranha-céus que construí com
orgulho na minha cidade imaginária, entre as casas modestas no campo em que eu
reservava para meu refúgio, entre o lago de carpas brancas e laranjas que
retinham minhas lágrimas.
E os meus pensamentos cavam a terra, a fim de me enterrar
consigo. Mas por outro lado, constroem
um morro com a terra cavada, no qual me habilito a subir e a enxergar o mundo
com um otimismo nunca antes permitido. O céu está lindo hoje, cheio de nuvens
para lembrar como é boa a incerteza.
E os meus pensamentos se cansaram de tanto andar, de tanto
rodar em círculos sem chegar a lugar nenhum, como se fossem ponteiros de
relógios que repetem a vida toda os mesmos números, e o mesmo compasso. E neste
compasso continuo tentando achar
lugar nenhum, ou algum, seja para me esconder das conclusões que me passam pela
cabeça, seja para me afugentar nas conclusões que chegam à tua cabeça.
E os meus pensamentos são como porcos-espinho, desses que
com cuidado e paciência se consegue tocar o coração, mas que com brutalidade
apenas te ferirão. É o caso famoso da flor que se transformou em porco-espinho,
quando Dr. Jekyll deixou sua poção cair na jardineira. Esse porco-espinho que
se tornou minha mente é uma verdadeira esfinge: decifra-me ou devoro-te.
quarta-feira, 19 de junho de 2013
Marceneiro
Os meus versos estão desgastados pelo passado e pelo Futuro.
O primeiro é uma lixa que me machuca a pele,
E não me deixa esquecer do que vivi.
O segundo é a água que leva minha poeira embora,
Cachoeira abaixo, sem qualquer visão da altura,
Ou do que vem depois da queda.
E juntos são o par perfeito,
Te moldando e transformando ao longo do tempo,
E te levando para onde precisa chegar,
Com pressa. compressa.
Sinto a erosão no meu self,
Acabamento polido.
domingo, 16 de junho de 2013
A boneca.
Eu sou pedaços desencontrados de cerâmica, que um dia
formaram o desenho do meu sorriso, e ontem se encontravam espalhados pelo chão.
E hoje tento juntar minhas mil migalhas varridas para o canto do quarto, e
achei um pedaço do meu coração no meio do farelo do cérebro. Este se espatifou
e se moeu, de tanto pensar e sem achar solução.
Meus delicados dedos de porcelana encontram-se
desencontrados pela tua escrivaninha, com os esmaltes gastos pelo tempo que
esperei para tocar na tua mão. Esperam a oportunidade em que você colocará cada
dedo meu no devido lugar na minha mão, refazendo meu toque e meu tato sobre ti.
De íntegros apenas restaram meus olhos, melados pelo
dissabor do rompimento do meu ser. Mas que mantém ainda o poder se observar o seu
arredor e julgar com todas as forças. Meus olhos melados que te guardam ao som
de blues, e despejam sua surpresa sobre o mundo.
E amanhã eu comprarei cola, para consertar minhas pernas. E poder seguir em frente, pelos caminhos que
escolher. Junto meus cacos, e vejo como posso me refazer da queda.
Ser uma boneca de porcelana tem suas desvantagens.
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Do coração e da mente
O meu coração é como um desses relógios velhos, cheio de engrenagens interligadas que só funcionam em conjunto. Por isso digo que não adianta roubar umas poucas delas, só poucas não fazem meu coração bater. Mas o fazem parar. E quando ele para minha vida perde a cor, sem sangue bombeado para alimentar os olhos, nem as pernas para andar e olhar em outras direções.
Mas como um velho relojoeiro, conserto o coração, invento novas engrenagens, gambiarro as interligações, e ponho tudo a perder de novo. Coração batendo, vida seguindo, lágrimas rolando. E assim meus passos seguem, robotizados, afinados e sintetizados por um coração cheio de engrenagens.
O coração cantarola sua música enferrujada, rangendo sua amargura e entoando seu triste canto por todos os cômodos que entra. A presença de tal ruído assusta num primeiro momento, depois desanima todos os seus expectadores e os transporta a um estado de plena compaixão e melancolia.
Pobre coração, esse meu. Todo reinventado para continuar batendo, todo cheio de peças não-originais, fora de seu modelo e que não encaixam tão bem. Todo remendado, costurado, superbondado para ficar inteiro, parece uma dessas obras de arte feitas com cascas de ovo, que de encaixam, mas não estão mais contínuas. Ah sim, porque hoje eu estou cheio analogias, e de neologismos, mas tudo tem sua razão. Por hoje minha voz foi cortada sorrateiramente, e tudo que é importante para mim se tornou seu gole amargo de café frio.
E nisso minha mente constrói grandes pontes e arranha-céus, tentando olhar de longe e de cima, de uma nova perspectiva para entender o que se passa com esse coração. E minha mente é um helicóptero, um mosquito grande e audaz, que é capaz de parar no ar, voar para onde quiser e pousar em quase qualquer lugar.
Minha mente é um helicóptero de guerra, armada, com metas e objetivos, bombas e soldados. Minha mente é feita para a guerra.
Mas não qualquer guerra, mas a guerra de pensamentos, de argumentos, de encanamentos e de chamamentos. E eu perco, perco mais e mais. Batalhas e mais batalhas perdidas, mesmo as ganhas. Porque não sinto que as ganhei. Talvez nem queira sentir o sabor da vitória da guerra , ou talvez já senti e não gostei. Não sei.
É essa a guerra entre a mente e o coração, os dois sentem que perdem, e os dois caem ao final. belo espetáculo.
Mas como um velho relojoeiro, conserto o coração, invento novas engrenagens, gambiarro as interligações, e ponho tudo a perder de novo. Coração batendo, vida seguindo, lágrimas rolando. E assim meus passos seguem, robotizados, afinados e sintetizados por um coração cheio de engrenagens.
O coração cantarola sua música enferrujada, rangendo sua amargura e entoando seu triste canto por todos os cômodos que entra. A presença de tal ruído assusta num primeiro momento, depois desanima todos os seus expectadores e os transporta a um estado de plena compaixão e melancolia.
Pobre coração, esse meu. Todo reinventado para continuar batendo, todo cheio de peças não-originais, fora de seu modelo e que não encaixam tão bem. Todo remendado, costurado, superbondado para ficar inteiro, parece uma dessas obras de arte feitas com cascas de ovo, que de encaixam, mas não estão mais contínuas. Ah sim, porque hoje eu estou cheio analogias, e de neologismos, mas tudo tem sua razão. Por hoje minha voz foi cortada sorrateiramente, e tudo que é importante para mim se tornou seu gole amargo de café frio.
E nisso minha mente constrói grandes pontes e arranha-céus, tentando olhar de longe e de cima, de uma nova perspectiva para entender o que se passa com esse coração. E minha mente é um helicóptero, um mosquito grande e audaz, que é capaz de parar no ar, voar para onde quiser e pousar em quase qualquer lugar.
Minha mente é um helicóptero de guerra, armada, com metas e objetivos, bombas e soldados. Minha mente é feita para a guerra.
Mas não qualquer guerra, mas a guerra de pensamentos, de argumentos, de encanamentos e de chamamentos. E eu perco, perco mais e mais. Batalhas e mais batalhas perdidas, mesmo as ganhas. Porque não sinto que as ganhei. Talvez nem queira sentir o sabor da vitória da guerra , ou talvez já senti e não gostei. Não sei.
É essa a guerra entre a mente e o coração, os dois sentem que perdem, e os dois caem ao final. belo espetáculo.
terça-feira, 4 de junho de 2013
Sonhei...
Sonhei com você,
Sonhei que sairia dos meus sonhos
e me encontraria aqui
Prostrada
Esperando uma outra oportunidade
de recomeçar.
Sonhei que você não iria dirigir meu carro
Mas você era o responsável pelos mapas, pelas rotas e pelos destinos.
E você saiu dos meus sonhos
e traçou uma nova rota,
para mim.
Sonhei com você,
com o teu sorriso moleque,
com cabeça cheia de asas, pronta para voar.
Sonhei com você,
E mesmo acordada, continuo sonhando.
Sem acreditar na realidade.
Sonhei que sairia dos meus sonhos
e me encontraria aqui
Prostrada
Esperando uma outra oportunidade
de recomeçar.
Sonhei que você não iria dirigir meu carro
Mas você era o responsável pelos mapas, pelas rotas e pelos destinos.
E você saiu dos meus sonhos
e traçou uma nova rota,
para mim.
Sonhei com você,
com o teu sorriso moleque,
com cabeça cheia de asas, pronta para voar.
Sonhei com você,
E mesmo acordada, continuo sonhando.
Sem acreditar na realidade.
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