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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Eu sei que me deixo levar pelo passado
e pela minha tristeza que insisto em reter
junto ao meu coração.
Mas não é por mal,
é a minha natureza - disse o escorpião.
Eu sei que falho, e não são poucas vezes
eu sei,
não precisa me dizer
nem com os olhos.
Mas as coisas não funcionam assim,
palavras são só palavras
e o que mantém meus músculos firmando meus ossos
são ideais, como V disse no seu filme.
Eu não quero te fazer sofrer
nem ser uma muralha
Mas eu não tenho opções
que não sejam ruins
Perdão, Amor, eu sou assim
eu tenho a capacidade de corromper até você,
o sentimento mais lindo do mundo.
Perdão, Amor, eu sou assim
na ânsia de lhe ter, te afastei de mim.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pois é, lá se foi mais um dia. E graças ao céus que ele se foi, no mais o estresse me agulha os ossos das pernas, e faz com que me arraste à todos meus compromissos. Aliás, só chamo de compromissos para que eu me deixe levar pela preguiça de ficar em casa, dormir e esquecer que existo, esquecer que sou ignóbil.

Odeio sentir ódio, esse sentimento me corrói por dentro como se fosse um ácido forte borbulhante e derretendo tudo que toca. Mas teria eu escolha? Se escolhi ser humana me sujeitei a todos os sentimentos passíveis dos seres sensíveis,, pois então que venha a raiva, o ódio... e que me agrida, da forma mais severa possível porque eu não consigo. Pois é, sou uma covarde, mal tenho forças para me levantar da cama, não me exijo capacidade para estapear minha própria face, apesar de ser muito merecido.

Deve ter algo de podre dentro de mim, e eu acho que meu interior funciona como um saco de laranjas, o que há de podre apodrece o seu entorno, e consecutivamente em escala exponencial. O que será que já foi apodrecido dentro de mim por esse ódio? Antes fosse sangue... saindo por todos meus poros, escorrendo pelas minhas mãos, mas é ódio.

Mas desconfio da causa do meu mal-estar, mas não será hoje que publicarei isto, leitor. Agradeço a paciência, mas hoje deixo a critério de tua imaginação. E que agora venha a tristeza!


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

La douleur...

Non so piu che mio core sostegna, la dolore cammina per mio ventre e brucciame.
Che posso fare? Niente. Solo ammirarte lontano.
Io te voglio tanto bene, ma e tu? Me vuoi bene anche?
Non lasciarmi, te chiedo. Ma e dopo? Tu mi laceri.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Non legere questo mai!

Io mi sento cattiva oggi,
Cattiva perchè te voglio vicino a me
E tu mai sarai
Io te capisco, mio bello.
Non lo so se io sarei vicino a una persona come io
Ma io so che saro sempre vicino a te
Se tu me permetti, è chiaro.
Non te preocupare com che quello che io vedo
Vieni qui, dove io posso abbraccialo

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Eu choro, minhas lágrimas lamentam esse mundo de dor. Choro pela crueldade humana, choro pela insensibilidade com que a vida é vista. Choro porque não fui capaz. Choro porque meu atraso tem as piores consequências possíveis, mas que não me afligem, como seria o devido. Eu choro pelo mundo em que vivo, impossibilitado de mudar.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não adianta negar, eu sinto na carne a tua mágoa porque a brisa passou. Eu sinto na minha carne o calor da brisa queimando, levando as suas cinzas para longe de mim. Não adianta negar, a brisa esvoaça seus cabelos como eu nunca consegui bagunçar com as mãos, e você distraído olha para o céu, absorvendo a energia do sol, enxergando o paraíso. Nem peço para que você fique, só posso te oferecer a realidade mundana da vida, a realidade podadora de sonhos e desejos. Pode ir, Pinòcchio, vai lá virar menino de verdade, ao meu lado temo que você nunca deixe de ser um boneco; vai lá, Pinòcchio, vai ser gauché na vida, segue a brisa de tua fada azul.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A solidão desta casa me persegue, é impressionante como ela se move pelos cômodos, pelas paredes, parece que advinha meu pensamento e lá está ela a me espreitar. E é e sentindo só que vivo, eternamente, trancafiada nessas paredes, que mudam de endereço e me acompanham no todo e sempre. São elas a minha maior companhia. E a solidão me ilumina, numa lâmpada azul e fraca, uma luz lânguida, bailando e se divertindo assistindo meus bastidores.


Eu insisto em me livrar dessas amarras, que me prendem a sombra que não é minha. Odeio o vazio que preenche meu quarto, odeio o vazio que brota do meu aparelho de TV na esperança de me entreter e esquecer que não há mais ninguém aqui. Acho que é por isso que gosto de deixara TV ligada a tôa, ouvir outra voz que não a dos meus pensamentos é reconfortante.


Oi, Sahel, você sempre me deixa assim, percebendo tristemente minha realidade. Acordando dia após dia olhando meu teto branco, vendo flores onde não há nada. Sahel, que destino você me ocupa, acompanho, mas não tenho acompanhante. Queria ouvir mais a sua voz, Sahel, saber que o mundo é maior que este quarto, e que há mais almas do que vejo agora.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Neurose

Não engorde

Não emagreça

Seja boa

Seja honesta

Não tenha raiva

Não me faça me sentir mal

Se não tem algo bom a dizer fique calada

A sua dor não é importante se sua pele ficar bonita

A sua dor não é importante se seu corpo ficar escultural

Seja delicada

Seja educada

Não fale alto

Não fale tão baixo

Não fale

Você tem que ser feliz o tempo todo

Não coma porcaria

Não seja vegetariana

Suas mãos devem ser femininas

Use brincos

Use sapatos bonitos e nada confortáveis

Use salto alto e prejudique sua coluna vertebral

Sua dor não é importante se for para ser sensual

Não use roupas indecentes

Não use as roupas da sua avó

Não minta

Não me fira

Aceite meus defeitos

Mas não tenha os seus

Pare de se cobrar

Você tem que conseguir

Só cólica?

Pare de chorar

Não tenha ciúmes

Você tem que me satisfazer

Seja perfeita!

terça-feira, 26 de abril de 2011

o amor é


Descobri que te amo. E que isso tem bastante tempo. Pois é, só soube agora. Pode me chamar de silly, fool. Quem ama, quando ama, fica assim mesmo. E a gente faz tantos planos, imaginamos milhares de beijos, carícias. Gastamos tempo pensando em milhões de jeitos de dizer "eu te amo" sem ser piegas, para na hora dizer apenas “eu te amo”, no modo mais piegas possível, e esquecer todo aquele lindo discurso camoniano preparado com imenso esmero e capricho.


O amor é lindo, une vidas imiscíveis, transforma brigas em guerras, e guerras em acordos de paz. E os acordos de paz são assinados com tintas vermelhas da cor das rosas e dos bombons de cereja. E é assim que me sinto com você, meu amor. Que tudo é possível, que tudo é permitido. Que nós, juntos, formamos uma liga de super-heróis que tudo pode, nós podemos resolver tudo.


E por que te amo? Não que haja uma razão para isso, mas você é minha alma gêmea. Você é meu porto seguro, é a quem eu recorro quando a noite fica mais fria. Você é aquele que me entende quando eu falo, que me escuta quando digo, que me acolhe quando tenho medo. E não apenas isso, afinal a relação envolve reciprocidade. Mas, eu assim espero, que seja a mim a quem você recorra quando a noite fica mais fria, que seja eu que te escuta quando você fala, que eu te entenda, e eu te acolho, sempre que você me buscar. É assim que te amo, querendo te dar conforto enquanto me aconchego no seu colo, dialogando e discutindo sobre tudo que te envolve, me envolve, nos envolve e não nos envolve. É assim que te amo, acendendo uma pequena vela que quebra a escuridão do quarto, e ilumina o nosso amor.


Sinto saudades de você cada vez que abro meus olhos. Sem você meu riso falha, meu coração desnorteia e minha alma perde o canto. É assim, que percebo que te amo.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Por que eu escrevo o que você já sabe? Ah, meu amado, meu coração lhe pertence. Eu perdi a conta dos dias, das horas. Só sei que é seu, porque se recusa a obedecer meus comandos. E eu percebi que perdi o controle muito tarde, mas não o suficiente, tive tempo para me render pacificamente. E assim foi, minha rendição se deu de forma inesperada. Quando até você estava cansado de lutar, me entreguei.


A minha sorte cruzou a sua, e nenhuma cigana previu. E quando dei por mim, já estava entregue em teus braços, num emaranhado de emoções. E quando dei por mim, já estava gostando de estar entregue em teus braços, num emaranhado de emoções. A roda da fortuna girou novamente,puxando o laço que nos unia, apertando-me em você. E agora? Eu disse. Agora não tem mais jeito, você respondeu.


O balé apenas começava, mas já estávamos bailando ao som do romantismo tradicional. Dois para lá e dois para cá. Nossos passos compassados fizeram a trilha do que somos hoje, e do que seremos amanhã. E a batida da música que dançamos é a do coração.


Te amo.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sobre a meditação


Como podem os homens querer a paz entre si se não há paz em si próprios? A paz consigo deve vir primeiramente que a paz entre nações, ou esta será frágil como um castelo de areia, que desaba na primeira onda de descontrole de um homem - um homem sem paz na alma.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Primeiro diálogo

— Professor, o que é a justiça?
— O que é a justiça? Justiça é a característica que atribuímos àquilo que é justo, e que não há naquilo que é injusto.
—Mas, professor, como saber o que é justo e o que é injusto sem saber o que é a justiça?
— Justiça é um valor social essencial à vivência em sociedade. Por isso a noção de justiça é humana, existe em qualquer época, qualquer sociedade. E como ela é determinante à vivência em sociedade, muitos alegam a justiça ser apenas um valor subjetivo, um nome dado à deontologia de uma sociedade.
— Mas faz sentido que a justiça seja nada mais que um valor ético-moral que cada sociedade constrói para si.
— E faz sentido que haja um homem que não viva em sociedade?
— Hum, mas é possível, não é, professor?
— É? Seria novidade para mim que algum ser humano na face da Terra, sem que haja qualquer força maior que o obrigue a permanecer isolado, viva fora da sociedade. O ser humano, já dizia o Filósofo, é um ser necessaria e essencialmente político. Sabe de onde vem a palavra política?
— Roma?
— Não. É palavra de origem grega: pólis, assim chamavam os gregos suas cidades-Estado. Ou seja, político é aquele que vive na cidade, que participa da cidade. Um ser político é aquele que vive em sociedade na Cidade. Mas Aristóteles não quis dizer que o homem é urbano, mas que é animal social, necessariamente.
— Mas e os ermitões? Robinson Cruzoé?
— São exceções que só provam a regra.
— Mas são modos de sociedade diferentes, professor. A justiça pode até ser resultado da vivência social, mas se ela é uma, não deveria mudar de acordo com a organização e a moral de cada sociedade.
— Quem disse que muda? A justiça não é não lesar os outros, dar a cada um aquilo que lhe é seu e viver honestamente? Mas a justiça, ao ser aplicada, depende do que os povos tem por ser de cada um, o que é uma vida honesta e o que não lesa os outros, percebe? E são muito parecidos esses valores entre os povos, é só questão de saber como é aplicada a propriedade em cada sociedade.
— Propriedade?
— Sim, meu caro. Pense, se a justiça está em dar a cada um o que lhe pertence e não tomar o que não lhe pertence, os pertences são vistos como propriedade. Assim, se a esposa é visto como propriedade, o adultério é tido como injusto. Se as terras são vistas como propriedade absoluta, qualquer invasão ou atentado é tido como injusto. Quanto mais minuciosas são as leis que deveriam garantir a justiça, menos próximas da verdadeira justiça elas são, porque a justiça pressupõe princípios, e não regras detalhadas.
— Entendo, mas então as regras seriam desnecessárias para a justiça?
— É óbvio que não. A justiça precisa ser regrada dentro de uma sociedade para evitar abusos. Em primeiro lugar, aqueles que lidam em aplicar a justiça precisam, primeiramente, entendê-la, estudá-la, saber como ela é aplicada nas diversas sociedades, através do tempo e espaço. É por isso que, pelo menos nesta faculdade de direito, não aprendemos a ler o código, afinal isto toda pessoa devidamente alfabetizada o faz, mas aprendemos a trabalhar com a lei. O profissional de direito que decora a lei e estuda por ela corre o risco de não saber utilizar a funcionalidade jurídica dela, e não desenvolve raciocínio jurídico.
— Entendi, mas então todas as regras jurídicas são necessárias?
— Não necessariamente. Existem dois tipos de normas, as chamadas dispositivas, que podemos abrir mão, ou, pelo menos, que não faz diferença entre optar por fazê-la assim ou assada. Por exemplo: a lei de trânsito que regulamentou que os carros devem andar na mão direita é dispositiva, prova maior é que na Inglaterra a mão do motorista é a esquerda e uma não é mais justa que outra, é só para fins de organização. Entretanto, após se fizer essa opção é injusto o ato da pessoa que ande pela mão esquerda, não porque andar pela mão esquerda é injusto, mas porque a regra visa um fim para o bem da organização social, à qual ela também é submetida, e é injusto que ela, sem motivo justo, contrarie essa regra.
— Quer dizer que as normas dispositivas são as que podemos dispor como quisermos porque não há justiça maior numa das opções. Mas e qual é o outro tipo de norma?
— As outras normas são àquelas em que há justiça na opção, sendo as outras menos justas ou inconvenientes. Por exemplo: a norma que proíbe matar outra pessoa. Faz toda a diferença para o convívio social uma opção divergente dessa, não?
— Ué, mas e, por exemplo, no caso de legítima defesa?
— Alguém que se defende de uma agressão injustificada, desde que numa medida compatível com a própria agressão, não é alguém que defende o que é seu, sua vida, e impede que outra pessoa lhe prejudique e viva desonestamente, não pode ser considerado injusto.
— Professor, deixa eu ver se entendi. As regras são pautadas nos princípios que regem a justiça, certo?
— Certo.
— Os princípios são: não lesar terceiros, viver honestamente e dar a cada um o que é seu. Certo?
— Basicamente sim. Não esqueça que há mais princípios, mas esses são os principais.
— Enfim, e as regras são necessárias para as pessoas saberem o que devem, o que podem e o que não devem fazer, porque apenas os princípios não são suficientes, certo?
— Sim. Mais dúvidas.
— Acho que não.