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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Enlace

Retiro das minhas mãos a sua responsabilidade e solto-a no ar. Respiro a liberdade de minhas escolhas, ausente de culpa e sanções. Retiro de meus olhos as emoções, são demasiadamente perigosas.

Respondo ao que me convém, guardando minhas opiniões no bolso, expondo minhas opiniões no modo como desejam ouvi-las, sonhando com minhas opiniões sem distorções, interrupções ou avaliações.

Sei que deliberam a meu respeito, mas deixei de aguardar Vosso preconceito há algum tempo. e vivo. Sei que praguejam meu respeito, mas insto na dignidade e coerência inumanas. Sei que decidem seus destinos de forma a afetar o meu, sei que determinam ações a forçar minhas reações.

Meu peito espremido e pesaroso com meus percalços tenta compreender as motivações do coração. Meu peito espremido e descontente segue abalado sem se importar com sua fama. Meu peito ilustrado e repetitivo amarga as iguais desilusões e inflexões da vida. Repito o memso ciclo há milênios, esperando vagarosamente a evolução e a libertação.

Retiro das minhas mãos as consequências de seus atos, e os frutos de suas escolhas e te solto no ar. Respiro a liberdade de te assistir no que me permitir. Retiro de seus olhos as lágrimas escorridas, enxugo-as com amor. Permito-te as opiniões e deliberações. Permito-te uma fama e honra. Permito-te viver as ilusões que escolher. Sei que decidem teu destino de forma a influenciar o meu.

domingo, 6 de dezembro de 2015

A espera



Os anéis apertam os dedos, apertam o sangue, que chega apertado ao coração. Os anéis tintilam nos dedos, arranham as unhas, afogam a pele num suor de ansiedade. Os anéis estimulam e intermedeiam os impulsos cerebrais no sangue. Os anéis deduram o medo, os desejos e os pensamentos.
Os dedos arranhados e enforcados tamborilam entoando hinos e rimas, entoam angústias em ritmo quarteto, entoam a impaciência da espera, do aguardar de uma resposta importante, entoam o sobressalto de um toque do celular. Os dedos apertados se esticam e se comprimem alcançando  
As mãos inchadas de líquidos retidos, de dores comprimidas e lágrimas engolidas, não podem fechar os dedos, deixando de agarrar as menores esperanças, vendo-as esvair-se pelos vãos. As mãos inchadas, comprimidas e espalmadas se sobrepõem ao coração, tentando arrancar o aperto da pressão sanguínea. As mãos inchadas, cheias de anéis apertando dedos arranhados, massageiam o coração ansioso e nervoso.
O coração apertado e pressionado pelo sangue aguarda uma resposta importante, angustiado e arranhado, ansioso por um toque no celular.


sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Poetando a mente


Quem quer poesia? Quem poeta o marasmo e a euforia. Quem poeta a vida em sintonia ao encanto. Quem poeta a simpatia, entretanto; Entre tantas belezas e algozes, belezas velozes que se arriscam a manchar de sorriso um rosto cansado. São eles que querem a poesia.

A poesia é necessária ao corado da face, ao vermelho da boca feminina, à firmeza do enlace, e à fatalidade da estricnina. A poesia preenche os vácuos do espaço sideral, e a poesia esvazia as angústias da alma.

O poetar é luxo, é consumo impróprio em qualquer idade, é absurdo cósmico, é conexão com a eternidade. O poeta é ser etéreo, é estar em eterna sublimação, evaporando aos poucos sem liquidar a sua razão. O poeta absorve o mundo como uma esponja, e quando seu coração se aperta, libera o líquido amniótico da poesia.

Quem quer poesia? Qualquer um.

sábado, 12 de setembro de 2015

Saudades de uma Belinha


Meu coração repartido, dividido e ludibriado está descascado hoje. Meu coração despedaçado e picado arde intensamente. Meu coração está clichê, e sente saudades por antecipação, meu coração ama você, e insta em negar nossa separação.

Meu coração aspirou ilusão em querer você por uma vida; A ilusão o tomou, porque permiti, e esmigalhou meu coração em cacos incontáveis, inseparáveis e incoláveis. Meu coração iludido te viu partir, sem qualquer sorriso. Meu coração iludido te pediu para ficar, sem sucesso. Meu coração tinha esperança. Minhas esperanças racharam e deixaram que você vazasse por entre meus dedos, em meio a meus braços.

Minhas esperanças se juntaram aos cacos do coração e não se encaixam mais, seguem costuradas de forma chula com barbantes rústicos. Minhas esperanças costuradas, remendadas e frágeis não esperam mais. Não me esperem mais.


Meus cacos entristecidos, desiludidos e descascados não querem se juntar hoje, repelem-se e preferem restar partidos. Meus cacos emudecidos e repelidos choram oram. Meus cacos doem. 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Escultura

Estou em processo de criação, recreação e mineração. Cavo minhas pálpebras buscando os sonhos que já esqueci. Cavo meus olhos buscando os horizontes nos quais me perdi. Cavo com minhas mãos a terra que já me engoliu. Meu processo de ressureição, desenterrou-me das pedras e pôs me deitada em levitação.

E assim, flutuando, sou dirigida para os ventos do norte, teleguiada por satélite, teletransportada pela internet, meus pés flutuando e desenhando meu destino. Estou em processo de aperfeiçoamento, sofrimento e assoreamento. Arenosa, me acumulo nos vãos das lágrimas de meus olhos, e os impeço de transbordar, e os seco, e os vitrifico de uma vez.

E como numa ampulheta, deságuo na boca, secando as palavras e dissecando os dizeres e absorvendo sentidos. Esculturo estátuas e antíteses, esculpo meu próprio estatuto e disformo o estuário; uníssona sou conformada, contornada e consolada. Meu desenho de mim ganha alma, e permaneço.


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Instinto

Seu instinto me intriga, mas me instiga a lhe amar intrinsecamente na mesma moeda com que me incita a memorizar tua mão, tua pele, teu toque, teu todo tudo.  excitação e expiação, no mesmo lado da cama, na mesma inspiração e respiração.

O meu instinto espira pelos meus poros e te respiram em suas entranhas, mas minha mente te expira o sono, espia seu sono e extingue os tormentos do futuro impróssimo.

Instintivamente insistimos na incisão das lembranças, e na inserção de novas recordações, exposições, explorações e exortações no coração dos ingênuos amantes, nossos.


Meu instinto cria vida, e dá valor a tal, por isso eu insto: te amo

domingo, 19 de abril de 2015

Sentidos



Roubou minha retina e levou a lucidez dos meus olhos em sua bagagem. Enxergo embaçado até seu retorno. Meu olhar perdido e desligado te procura sem sucesso, as paredes já não escutam sua voz respondendo à minha.  Meus olhos destilados e roubados dilatam as pupilas e absorvem mais do ambiente, rastreando seus traços, seus cheiros, seus passos.


Minha visão periférica abalroa os demais sentidos e toma de assalto o meu coração, que apenas enxerga seus rastros pela casa, pelas trilhas e por todo o tempo. Suas marcas indeléveis  lançadas pelos ares são irresistíveis e me magnetizam. Sinto sua falta. 

quarta-feira, 11 de março de 2015

Campo de Concentração

Como uma gaita de fole minha mente expele suas entranhas aos olhos em forma de chamas, gás venenoso e inflamável de minhas estranhas, gás perdido e inimigo de minhas entrâncias, gás dissolvido nas estâncias do corpo.

Minha mente raivosa como uma gaivota plaina um oceano de conjurações e conjugações. E se fosse o verbo conjugado no presente, poderia talvez conjugá-lo de forma diversa no futuro do pretérito; Se eu dispuser da conjugação do verbo da minha vida desta forma, como se tivesse havido demais escolhas melhores no pretérito perfeito, o arrependimento será outro?

Verbos e verbetes, escolhas e decisões, atos e consequências. Meus olhos embaçados pelo gás envenenado da minha mente rege seu império, defende seu ponto de vista, e cautelosamente escolhe as pedras que pisará em seu caminho. Meus lábios emudecidos aceitam as resoluções e portarias oculares são questionar...

Meu pulso sobressaltado acelera e anseia o rumo, preparando-se para a caminhada árdua. Meu pulso é lembrado ritmicamente de suas responsabilidades, habilidades, capacidades e fragilidades, meu pulso acelera com o aumento da pressão.

Como um saxofone minha mente swinga soluções e partituras, minha mente é musicada e concentrada, várias em uma .


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A Invenção da poesia


Dos meus dedos correm tramas, dramas relatados sem emoção. Dos meus lábios saem palavras cruzadas, histórias atrasadas e de repetição, além de estórias da carochinha, contos de fadas e bruxas, dentre outras invenções. Dos meus dedos correm mares inteiros, navios negreiros, navios obreiros.
Dos meus dedos corre a criação do mundo, da realidade mais profunda.

Os meus olhos leem os rabiscos, leem os hieróglifos, e os apócrifos. Meus olhos leem tatuagens, expressões faciais e risos infantis, interpretam a trama, criam o drama e o enchem de enredo e presunções, meu coração palpita, angustia e anseia pelo final. Meus olhos preenchem as lacunas cruzadas de histórias repetidas de pessoas históricas cruzando um mar inglês.

Os meus olhos veem o mar levando embora milhares de sonhos e pesadelos ao fundo, os meus olhos veem as histórias mudando, se desenrolando e alterando o fim. O mote é complexo, os personagens sobressaem, desejam e traem, feito Eva e Adão.


segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O Ferreiro


Coração martelado feito soldado, espremido como laranja, pronto para tomar. Sem conservantes, e disposto em muita brasa, queima queima queima.

Coração embrasado, fumegado e derretido é malhado, enformado e deformado. Coração requentado, assim desentortado, assim fora forjado.

 Coração na bigorna, explodindo em faíscas, clama por Hefesto teu soldador. Coração explosivo, coração invasivo, invadido.

 Coração vermelho, pulsante e derretido, coração doído e derramado, coração coagido e devotado a ti. Coração devorado, mastigado e digerido pelo próprio coração.

Tal qual desenho, o coração se apaixonou pelo ferreiro.

O coração queimado e resfriado pelo Ferreiro, pulsa pulsa pulsa

domingo, 21 de setembro de 2014

Linha da Vida


Talho meus dedos numa peça de madeira comum. Meus dedos nascidos da normalidade esculpidos dolorosamente por histórias, minhas estórias. Meus dedos, com unhas de grafite, escritos por experiências, cujas ranhuras denunciam a idade das amarguras que vivi. 

Minhas mãos delineadoras do futuro escrevem minhas vidências. Minhas mãos são esculturas, são a arte moderna dos meus pressentimentos, são feitas pelos teus pensamentos misturados ao meu imaginário. Minhas mãos pegam na gravura das tuas, e te deixam perto de mim.

Minha mão pega o cinzel e delicadamente desenha minhas digitais, prevendo as frutas que tocarei, os vidros que me cortarão, as lágrimas que enxugarei. Então minha mão usa o cinzel e descreve minhas cicatrizes, contorna os amores e as conquistas, arranca lascas de pele encorpadas de decepções.


Meus dedos quase prontos são observados pela criadora, e são finalmente aprovados. Chega de decidir sobre o destino, chega de criar escolhas, chega de desenhar dedos. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Quadro impressionista


Pintei uma paisagem em sua volta, e lá desenhei tudo que eu desejei, um sol pro seu coração, uma grama fofa como as nuvens que piso, algumas árvores para nos deitar na sombra, uma placa indicando uma cachoeira à direita, e a Casa à esquerda, e o nosso cachorro. 

Mas faltava cor em meu quadro, pois minha aquarela estava ressecada demais para ser usada assim, dissecada demais para ser exposta assim, obcecada demais para aceitar ser utilizada assim, seca demais para ser .

Mas você então veio, perfeito da minha perspectiva aérea desenhado cuidadosamente, e a saliva dos teus beijos me permitiram novamente reavivar meu painel de humores, minhas cores e minha vida. Mas você então veio, bamboleando pelo trajeto de tijolos amarelos da minha paisagem, tomando meus pincéis das mãos e escolhendo as cores comigo. Mas você então veio, com seu sorriso amador dos meus traços, com sua técnica amante de preenchimento, tomando os tons do meu coração e levando a minha alma ao quadro. 


Termino minha bela obra de arte em poucos dias, e terminaremos a arte de obrar em alguns anos. La Gioconda!