Retiro das minhas mãos a sua responsabilidade e solto-a no ar. Respiro a liberdade de minhas escolhas, ausente de culpa e sanções. Retiro de meus olhos as emoções, são demasiadamente perigosas.
Respondo ao que me convém, guardando minhas opiniões no bolso, expondo minhas opiniões no modo como desejam ouvi-las, sonhando com minhas opiniões sem distorções, interrupções ou avaliações.
Sei que deliberam a meu respeito, mas deixei de aguardar Vosso preconceito há algum tempo. e vivo. Sei que praguejam meu respeito, mas insto na dignidade e coerência inumanas. Sei que decidem seus destinos de forma a afetar o meu, sei que determinam ações a forçar minhas reações.
Meu peito espremido e pesaroso com meus percalços tenta compreender as motivações do coração. Meu peito espremido e descontente segue abalado sem se importar com sua fama. Meu peito ilustrado e repetitivo amarga as iguais desilusões e inflexões da vida. Repito o memso ciclo há milênios, esperando vagarosamente a evolução e a libertação.
Retiro das minhas mãos as consequências de seus atos, e os frutos de suas escolhas e te solto no ar. Respiro a liberdade de te assistir no que me permitir. Retiro de seus olhos as lágrimas escorridas, enxugo-as com amor. Permito-te as opiniões e deliberações. Permito-te uma fama e honra. Permito-te viver as ilusões que escolher. Sei que decidem teu destino de forma a influenciar o meu.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
domingo, 6 de dezembro de 2015
A espera
Os anéis apertam os dedos, apertam o sangue, que chega apertado ao
coração. Os anéis tintilam nos dedos, arranham as unhas, afogam a pele num suor
de ansiedade. Os anéis estimulam e intermedeiam os impulsos cerebrais no
sangue. Os anéis deduram o medo, os desejos e os pensamentos.
Os dedos arranhados e enforcados tamborilam entoando hinos e rimas,
entoam angústias em ritmo quarteto, entoam a impaciência da espera, do aguardar
de uma resposta importante, entoam o sobressalto de um toque do celular. Os
dedos apertados se esticam e se comprimem alcançando
As mãos inchadas de líquidos retidos, de dores comprimidas e lágrimas
engolidas, não podem fechar os dedos, deixando de agarrar as menores esperanças,
vendo-as esvair-se pelos vãos. As mãos inchadas, comprimidas e espalmadas se sobrepõem
ao coração, tentando arrancar o aperto da pressão sanguínea. As mãos inchadas,
cheias de anéis apertando dedos arranhados, massageiam o coração ansioso e
nervoso.
O coração apertado e pressionado pelo sangue aguarda uma resposta
importante, angustiado e arranhado, ansioso por um toque no celular.
sexta-feira, 9 de outubro de 2015
Poetando a mente
Quem quer poesia? Quem poeta o marasmo e a euforia. Quem poeta a vida em sintonia ao encanto. Quem poeta a simpatia, entretanto; Entre tantas belezas e algozes, belezas velozes que se arriscam a manchar de sorriso um rosto cansado. São eles que querem a poesia.
A poesia é necessária ao corado da face, ao vermelho da boca feminina, à firmeza do enlace, e à fatalidade da estricnina. A poesia preenche os vácuos do espaço sideral, e a poesia esvazia as angústias da alma.
O poetar é luxo, é consumo impróprio em qualquer idade, é absurdo cósmico, é conexão com a eternidade. O poeta é ser etéreo, é estar em eterna sublimação, evaporando aos poucos sem liquidar a sua razão. O poeta absorve o mundo como uma esponja, e quando seu coração se aperta, libera o líquido amniótico da poesia.
Quem quer poesia? Qualquer um.
sábado, 12 de setembro de 2015
Saudades de uma Belinha
Meu coração repartido, dividido e
ludibriado está descascado hoje. Meu coração despedaçado e picado arde
intensamente. Meu coração está clichê, e sente saudades por antecipação, meu
coração ama você, e insta em negar nossa separação.
Meu coração aspirou ilusão em
querer você por uma vida; A ilusão o tomou, porque permiti, e esmigalhou meu
coração em cacos incontáveis, inseparáveis e incoláveis. Meu coração iludido te
viu partir, sem qualquer sorriso. Meu coração iludido te pediu para ficar, sem
sucesso. Meu coração tinha esperança. Minhas esperanças racharam e deixaram que
você vazasse por entre meus dedos, em meio a meus braços.
Minhas esperanças se juntaram aos
cacos do coração e não se encaixam mais, seguem costuradas de forma chula com
barbantes rústicos. Minhas esperanças costuradas, remendadas e frágeis não
esperam mais. Não me esperem mais.
Meus cacos entristecidos,
desiludidos e descascados não querem se juntar hoje, repelem-se e preferem
restar partidos. Meus cacos emudecidos e repelidos choram oram. Meus cacos
doem.
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
A Escultura
Estou em processo de criação, recreação e mineração. Cavo
minhas pálpebras buscando os sonhos que já esqueci. Cavo meus olhos buscando os
horizontes nos quais me perdi. Cavo com minhas mãos a terra que já me engoliu.
Meu processo de ressureição, desenterrou-me das pedras e pôs me deitada em
levitação.
E assim, flutuando, sou dirigida para os ventos do norte,
teleguiada por satélite, teletransportada
pela internet, meus pés flutuando e desenhando meu destino. Estou em processo
de aperfeiçoamento, sofrimento e assoreamento. Arenosa, me acumulo nos vãos das lágrimas de meus olhos, e os impeço de
transbordar, e os seco, e os
vitrifico de uma vez.
E como numa ampulheta, deságuo na boca, secando as palavras
e dissecando os dizeres e absorvendo sentidos. Esculturo estátuas e antíteses,
esculpo meu próprio estatuto e disformo o estuário; uníssona sou conformada,
contornada e consolada. Meu desenho de mim ganha alma, e permaneço.
segunda-feira, 15 de junho de 2015
Instinto
Seu instinto me intriga, mas me instiga a lhe amar
intrinsecamente na mesma moeda com que me incita a memorizar tua mão, tua pele,
teu toque, teu todo tudo. excitação e expiação, no mesmo lado da cama, na mesma inspiração e respiração.
O meu instinto espira pelos meus poros e te respiram em suas
entranhas, mas minha mente te expira o sono, espia seu sono e extingue os
tormentos do futuro impróssimo.
Instintivamente insistimos na incisão das lembranças, e na inserção
de novas recordações, exposições, explorações e exortações no coração dos
ingênuos amantes, nossos.
Meu instinto cria vida, e dá valor a tal, por isso eu insto:
te amo.
domingo, 19 de abril de 2015
Sentidos
Roubou minha retina e levou a lucidez dos meus olhos em sua
bagagem. Enxergo embaçado até seu retorno. Meu olhar perdido e desligado te
procura sem sucesso, as paredes já não escutam sua voz respondendo à
minha. Meus olhos destilados e roubados
dilatam as pupilas e absorvem mais do ambiente, rastreando seus traços, seus
cheiros, seus passos.
Minha visão periférica abalroa os demais sentidos e toma de assalto
o meu coração, que apenas enxerga seus rastros pela casa, pelas trilhas e por
todo o tempo. Suas marcas indeléveis lançadas pelos ares são irresistíveis e me
magnetizam. Sinto sua falta.
quarta-feira, 11 de março de 2015
Campo de Concentração
Como uma gaita de fole minha mente expele suas entranhas aos
olhos em forma de chamas, gás venenoso e inflamável de minhas estranhas, gás
perdido e inimigo de minhas entrâncias, gás dissolvido nas estâncias do corpo.
Minha mente raivosa como uma gaivota plaina um oceano de
conjurações e conjugações. E se fosse
o verbo conjugado no presente, poderia
talvez conjugá-lo de forma diversa no futuro do pretérito; Se eu dispuser da conjugação do verbo da minha vida desta forma,
como se tivesse havido demais
escolhas melhores no pretérito perfeito, o arrependimento será outro?
Verbos e verbetes, escolhas e decisões, atos e
consequências. Meus olhos embaçados pelo gás envenenado da minha mente rege seu
império, defende seu ponto de vista, e cautelosamente escolhe as pedras que
pisará em seu caminho. Meus lábios emudecidos aceitam as resoluções e portarias
oculares são questionar...
Meu pulso sobressaltado acelera e anseia o rumo,
preparando-se para a caminhada árdua. Meu pulso é lembrado ritmicamente de suas
responsabilidades, habilidades, capacidades e fragilidades, meu pulso acelera
com o aumento da pressão.
Como um saxofone minha mente swinga soluções e partituras, minha mente é musicada e concentrada,
várias em uma só.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
A Invenção da poesia
Dos meus dedos correm tramas, dramas relatados sem emoção.
Dos meus lábios saem palavras cruzadas, histórias atrasadas e de repetição,
além de estórias da carochinha, contos de fadas e bruxas, dentre outras
invenções. Dos meus dedos correm mares inteiros, navios negreiros, navios
obreiros.
Dos meus dedos corre a criação do mundo, da realidade mais
profunda.
Os meus olhos leem os rabiscos, leem os hieróglifos, e os
apócrifos. Meus olhos leem tatuagens, expressões faciais e risos infantis,
interpretam a trama, criam o drama e o enchem de enredo e presunções, meu
coração palpita, angustia e anseia pelo final. Meus olhos preenchem as lacunas
cruzadas de histórias repetidas de pessoas históricas cruzando um mar inglês.
Os meus olhos veem o mar levando embora milhares de sonhos e
pesadelos ao fundo, os meus olhos veem as histórias mudando, se desenrolando e
alterando o fim. O mote é complexo, os personagens sobressaem, desejam e traem,
feito Eva e Adão.
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
O Ferreiro
Coração martelado feito soldado,
espremido como laranja, pronto para tomar. Sem conservantes, e disposto em
muita brasa, queima queima queima.
Coração embrasado, fumegado e derretido
é malhado, enformado e deformado. Coração requentado, assim desentortado, assim
fora forjado.
Coração na bigorna,
explodindo em faíscas, clama por Hefesto teu soldador. Coração explosivo,
coração invasivo, invadido.
Coração vermelho, pulsante e
derretido, coração doído e derramado, coração coagido e devotado a ti. Coração
devorado, mastigado e digerido pelo próprio coração.
Tal qual desenho, o coração se
apaixonou pelo ferreiro.
O coração queimado e resfriado
pelo Ferreiro, pulsa pulsa pulsa.
domingo, 21 de setembro de 2014
Linha da Vida
Minha mão pega o cinzel e delicadamente desenha minhas
digitais, prevendo as frutas que tocarei, os vidros que me cortarão, as
lágrimas que enxugarei. Então minha mão usa o cinzel e descreve minhas
cicatrizes, contorna os amores e as conquistas, arranca lascas de pele
encorpadas de decepções.
Meus dedos quase prontos são observados pela criadora, e são
finalmente aprovados. Chega de decidir sobre o destino, chega de criar
escolhas, chega de desenhar dedos.
sexta-feira, 11 de julho de 2014
Quadro impressionista
Pintei uma
paisagem em sua volta, e lá desenhei tudo que eu desejei, um sol pro seu coração, uma grama fofa como as nuvens que piso, algumas
árvores para nos deitar na sombra, uma placa indicando uma cachoeira à direita, e a Casa à esquerda, e o nosso cachorro.
Mas faltava cor
em meu quadro, pois minha aquarela estava ressecada demais para ser usada
assim, dissecada demais para ser exposta assim, obcecada demais para aceitar
ser utilizada assim, seca demais para ser .
Mas você então
veio, perfeito da minha perspectiva aérea
desenhado cuidadosamente, e a saliva dos teus beijos me permitiram novamente
reavivar meu painel de humores, minhas cores e minha vida. Mas você então veio,
bamboleando pelo trajeto de tijolos amarelos da minha paisagem, tomando meus
pincéis das mãos e escolhendo as cores comigo. Mas você então veio, com seu
sorriso amador dos meus traços, com sua técnica amante de preenchimento,
tomando os tons do meu coração e levando a minha alma ao quadro.
Termino minha
bela obra de arte em poucos dias, e terminaremos a arte de obrar em alguns anos. La
Gioconda!
Assinar:
Postagens (Atom)

