sexta-feira, 25 de novembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Non legere questo mai!
sexta-feira, 5 de agosto de 2011
terça-feira, 2 de agosto de 2011
terça-feira, 26 de julho de 2011
A solidão desta casa me persegue, é impressionante como ela se move pelos cômodos, pelas paredes, parece que advinha meu pensamento e lá está ela a me espreitar. E é e sentindo só que vivo, eternamente, trancafiada nessas paredes, que mudam de endereço e me acompanham no todo e sempre. São elas a minha maior companhia. E a solidão me ilumina, numa lâmpada azul e fraca, uma luz lânguida, bailando e se divertindo assistindo meus bastidores.
Eu insisto em me livrar dessas amarras, que me prendem a sombra que não é minha. Odeio o vazio que preenche meu quarto, odeio o vazio que brota do meu aparelho de TV na esperança de me entreter e esquecer que não há mais ninguém aqui. Acho que é por isso que gosto de deixara TV ligada a tôa, ouvir outra voz que não a dos meus pensamentos é reconfortante.
Oi, Sahel, você sempre me deixa assim, percebendo tristemente minha realidade. Acordando dia após dia olhando meu teto branco, vendo flores onde não há nada. Sahel, que destino você me ocupa, acompanho, mas não tenho acompanhante. Queria ouvir mais a sua voz, Sahel, saber que o mundo é maior que este quarto, e que há mais almas do que vejo agora.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Neurose
Não engorde
Não emagreça
Seja boa
Seja honesta
Não tenha raiva
Não me faça me sentir mal
Se não tem algo bom a dizer fique calada
A sua dor não é importante se sua pele ficar bonita
A sua dor não é importante se seu corpo ficar escultural
Seja delicada
Seja educada
Não fale alto
Não fale tão baixo
Não fale
Você tem que ser feliz o tempo todo
Não coma porcaria
Não seja vegetariana
Suas mãos devem ser femininas
Use brincos
Use sapatos bonitos e nada confortáveis
Use salto alto e prejudique sua coluna vertebral
Sua dor não é importante se for para ser sensual
Não use roupas indecentes
Não use as roupas da sua avó
Não minta
Não me fira
Aceite meus defeitos
Mas não tenha os seus
Pare de se cobrar
Você tem que conseguir
Só cólica?
Pare de chorar
Não tenha ciúmes
Você tem que me satisfazer
Seja perfeita!
terça-feira, 26 de abril de 2011
o amor é

Descobri que te amo. E que isso tem bastante tempo. Pois é, só soube agora. Pode me chamar de silly, fool. Quem ama, quando ama, fica assim mesmo. E a gente faz tantos planos, imaginamos milhares de beijos, carícias. Gastamos tempo pensando em milhões de jeitos de dizer "eu te amo" sem ser piegas, para na hora dizer apenas “eu te amo”, no modo mais piegas possível, e esquecer todo aquele lindo discurso camoniano preparado com imenso esmero e capricho.
O amor é lindo, une vidas imiscíveis, transforma brigas em guerras, e guerras em acordos de paz. E os acordos de paz são assinados com tintas vermelhas da cor das rosas e dos bombons de cereja. E é assim que me sinto com você, meu amor. Que tudo é possível, que tudo é permitido. Que nós, juntos, formamos uma liga de super-heróis que tudo pode, nós podemos resolver tudo.
E por que te amo? Não que haja uma razão para isso, mas você é minha alma gêmea. Você é meu porto seguro, é a quem eu recorro quando a noite fica mais fria. Você é aquele que me entende quando eu falo, que me escuta quando digo, que me acolhe quando tenho medo. E não apenas isso, afinal a relação envolve reciprocidade. Mas, eu assim espero, que seja a mim a quem você recorra quando a noite fica mais fria, que seja eu que te escuta quando você fala, que eu te entenda, e eu te acolho, sempre que você me buscar. É assim que te amo, querendo te dar conforto enquanto me aconchego no seu colo, dialogando e discutindo sobre tudo que te envolve, me envolve, nos envolve e não nos envolve. É assim que te amo, acendendo uma pequena vela que quebra a escuridão do quarto, e ilumina o nosso amor.
Sinto saudades de você cada vez que abro meus olhos. Sem você meu riso falha, meu coração desnorteia e minha alma perde o canto. É assim, que percebo que te amo.
quinta-feira, 3 de março de 2011
Por que eu escrevo o que você já sabe? Ah, meu amado, meu coração lhe pertence. Eu perdi a conta dos dias, das horas. Só sei que é seu, porque se recusa a obedecer meus comandos. E eu percebi que perdi o controle muito tarde, mas não o suficiente, tive tempo para me render pacificamente. E assim foi, minha rendição se deu de forma inesperada. Quando até você estava cansado de lutar, me entreguei.
A minha sorte cruzou a sua, e nenhuma cigana previu. E quando dei por mim, já estava entregue em teus braços, num emaranhado de emoções. E quando dei por mim, já estava gostando de estar entregue em teus braços, num emaranhado de emoções. A roda da fortuna girou novamente,puxando o laço que nos unia, apertando-me em você. E agora? Eu disse. Agora não tem mais jeito, você respondeu.
O balé apenas começava, mas já estávamos bailando ao som do romantismo tradicional. Dois para lá e dois para cá. Nossos passos compassados fizeram a trilha do que somos hoje, e do que seremos amanhã. E a batida da música que dançamos é a do coração.
Te amo.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Sobre a meditação
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Primeiro diálogo
— O que é a justiça? Justiça é a característica que atribuímos àquilo que é justo, e que não há naquilo que é injusto.
—Mas, professor, como saber o que é justo e o que é injusto sem saber o que é a justiça?
— Justiça é um valor social essencial à vivência em sociedade. Por isso a noção de justiça é humana, existe em qualquer época, qualquer sociedade. E como ela é determinante à vivência em sociedade, muitos alegam a justiça ser apenas um valor subjetivo, um nome dado à deontologia de uma sociedade.
— Mas faz sentido que a justiça seja nada mais que um valor ético-moral que cada sociedade constrói para si.
— E faz sentido que haja um homem que não viva em sociedade?
— Hum, mas é possível, não é, professor?
— É? Seria novidade para mim que algum ser humano na face da Terra, sem que haja qualquer força maior que o obrigue a permanecer isolado, viva fora da sociedade. O ser humano, já dizia o Filósofo, é um ser necessaria e essencialmente político. Sabe de onde vem a palavra política?
— Roma?
— Não. É palavra de origem grega: pólis, assim chamavam os gregos suas cidades-Estado. Ou seja, político é aquele que vive na cidade, que participa da cidade. Um ser político é aquele que vive em sociedade na Cidade. Mas Aristóteles não quis dizer que o homem é urbano, mas que é animal social, necessariamente.
— Mas e os ermitões? Robinson Cruzoé?
— São exceções que só provam a regra.
— Mas são modos de sociedade diferentes, professor. A justiça pode até ser resultado da vivência social, mas se ela é uma, não deveria mudar de acordo com a organização e a moral de cada sociedade.
— Quem disse que muda? A justiça não é não lesar os outros, dar a cada um aquilo que lhe é seu e viver honestamente? Mas a justiça, ao ser aplicada, depende do que os povos tem por ser de cada um, o que é uma vida honesta e o que não lesa os outros, percebe? E são muito parecidos esses valores entre os povos, é só questão de saber como é aplicada a propriedade em cada sociedade.
— Propriedade?
— Sim, meu caro. Pense, se a justiça está em dar a cada um o que lhe pertence e não tomar o que não lhe pertence, os pertences são vistos como propriedade. Assim, se a esposa é visto como propriedade, o adultério é tido como injusto. Se as terras são vistas como propriedade absoluta, qualquer invasão ou atentado é tido como injusto. Quanto mais minuciosas são as leis que deveriam garantir a justiça, menos próximas da verdadeira justiça elas são, porque a justiça pressupõe princípios, e não regras detalhadas.
— Entendo, mas então as regras seriam desnecessárias para a justiça?
— É óbvio que não. A justiça precisa ser regrada dentro de uma sociedade para evitar abusos. Em primeiro lugar, aqueles que lidam em aplicar a justiça precisam, primeiramente, entendê-la, estudá-la, saber como ela é aplicada nas diversas sociedades, através do tempo e espaço. É por isso que, pelo menos nesta faculdade de direito, não aprendemos a ler o código, afinal isto toda pessoa devidamente alfabetizada o faz, mas aprendemos a trabalhar com a lei. O profissional de direito que decora a lei e estuda por ela corre o risco de não saber utilizar a funcionalidade jurídica dela, e não desenvolve raciocínio jurídico.
— Entendi, mas então todas as regras jurídicas são necessárias?
— Não necessariamente. Existem dois tipos de normas, as chamadas dispositivas, que podemos abrir mão, ou, pelo menos, que não faz diferença entre optar por fazê-la assim ou assada. Por exemplo: a lei de trânsito que regulamentou que os carros devem andar na mão direita é dispositiva, prova maior é que na Inglaterra a mão do motorista é a esquerda e uma não é mais justa que outra, é só para fins de organização. Entretanto, após se fizer essa opção é injusto o ato da pessoa que ande pela mão esquerda, não porque andar pela mão esquerda é injusto, mas porque a regra visa um fim para o bem da organização social, à qual ela também é submetida, e é injusto que ela, sem motivo justo, contrarie essa regra.
— Quer dizer que as normas dispositivas são as que podemos dispor como quisermos porque não há justiça maior numa das opções. Mas e qual é o outro tipo de norma?
— As outras normas são àquelas em que há justiça na opção, sendo as outras menos justas ou inconvenientes. Por exemplo: a norma que proíbe matar outra pessoa. Faz toda a diferença para o convívio social uma opção divergente dessa, não?
— Ué, mas e, por exemplo, no caso de legítima defesa?
— Alguém que se defende de uma agressão injustificada, desde que numa medida compatível com a própria agressão, não é alguém que defende o que é seu, sua vida, e impede que outra pessoa lhe prejudique e viva desonestamente, não pode ser considerado injusto.
— Professor, deixa eu ver se entendi. As regras são pautadas nos princípios que regem a justiça, certo?
— Certo.
— Os princípios são: não lesar terceiros, viver honestamente e dar a cada um o que é seu. Certo?
— Basicamente sim. Não esqueça que há mais princípios, mas esses são os principais.
— Enfim, e as regras são necessárias para as pessoas saberem o que devem, o que podem e o que não devem fazer, porque apenas os princípios não são suficientes, certo?
— Sim. Mais dúvidas.
— Acho que não.

