Talvez não se faça necessário te escrever, talvez essa carta não te vás sequer roçar aos dedos, mas enfim, te escrevo. Um dia cri ser impossível até dizer que te amo, mas já não mais faz qualquer diferença a mim. Não me traz contento saber que estás insatisfeito por nossas próprias condições, e mesmo assim insisto nessa loucura de negar nossos bloqueios, meu sangue e tua origem, porque somos mais que isso.
A tua face me traz a calma necessária para não impedir que minhas lágrimas borrem a pena. Teu sorriso, meu amor, teu sorriso me dá o mundo que espero ver por teus olhos quando as grades se esfarelarem. É por ti que hoje alimento este corpo que tanto odeio, por ser de quem é, e por ser a causa de todo nosso sofrimento, mas que sem ele não posso viver e te amar. Quisera eu cerrar meus cabelos, e cegar-me, tornar-me inútil àquilo que deveria servir, para ter o poder de abandonar meus grilhões para amar-te, meu amor.
Não hei de lhe tomar o escasso tempo da juventude, cerrar-me-ei por ti; mas não serão minhas tranças as vítimas de tamanha transgressão, mas meus olhos. Hoje morro por ti, deixe que me chorem, e depois resgate meu corpo da tumba da qual não pertenço.
Da sua Julieta.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Carta ao papai que está no céu
Tão lindo é o céu quando o olhamos de dentro, não é papai? Ainda não o vi, mas imagino que seja assim. Vai me mostrar como é?
Conversador do jeito que é, aposto que já fez amizade com São pedro. Reclamou para ele que só chove no meu aniversário? Porque esse ano não choveu, daí eu falei para a mamãe que foi você que pediu a ele para ter sol.
Que saudades, papai. Faz tempo que você subiu para aí, acho que essa carta nem vai chegar para você, porque o carteiro me disse que só iria para aí quando fosse a vontade de Deus, isso deve ser desculpa, esse carteiro deve ter medo de altura.
Tirei dez nessa prova de matmática, não prometi que ia tirar? Cumpri, igual você me diz, sempre cumprir o que prometo. Amanhã sai a nota de ciências, acho que tirei outro dez. Você disse que se eu continuasse assim, um dia poderia ser astronauta também, não é papai? Estou tentando.
Te amo, papai.
Conversador do jeito que é, aposto que já fez amizade com São pedro. Reclamou para ele que só chove no meu aniversário? Porque esse ano não choveu, daí eu falei para a mamãe que foi você que pediu a ele para ter sol.
Que saudades, papai. Faz tempo que você subiu para aí, acho que essa carta nem vai chegar para você, porque o carteiro me disse que só iria para aí quando fosse a vontade de Deus, isso deve ser desculpa, esse carteiro deve ter medo de altura.
Tirei dez nessa prova de matmática, não prometi que ia tirar? Cumpri, igual você me diz, sempre cumprir o que prometo. Amanhã sai a nota de ciências, acho que tirei outro dez. Você disse que se eu continuasse assim, um dia poderia ser astronauta também, não é papai? Estou tentando.
Te amo, papai.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Carta e brinde
Minha bula foi minha guilhotina, é o fato. As horas não contadas no relógio, mas que eu vi passar, cada uma se arrastando mais que a outra, como se ainda me dessem a oportunidade de eu repor o tempo perdido; as horas não contadas no relógio levaram de mim um pouco de cada expectativa de esperança. Sim, sim, senhoras e senhores, eu escolhi a pior das trincheiras, a mais úmida e quente, meus pés não puderam sentir a frieza do chão, só as narinas apalparam a flatulência exalada pelos canhões adversários. Há pólvora no ar.
Senhoras e senhores, minha vida é um show, um show a que ninguém deveria assistir, que eu deveria estar solitariamente no palco, ensaiando meu monólogo eternamente, ou não tão eternamente, apenas o suficiente para no momento em que eu criar coragem em abrir o espetáculo ao público, cair desfalecida num cartaz qualquer. Uma recordação para alguém.
Mas é como digo, se o devido fosse impossível de não cumprimento, qual a graça da vida?
Sabeis bem, meus futuros filhos, que vós sois minha prole, meu legado ao mundo. Vós sois minha continuação arbitral, um mero braço que aos poucos fazeis de corpo inteiro, e ainda vos fareis de clones, e relegareis vossos próprios braços ao mundo que sobrevirá a nós todos. Uma espiral do terror.
Não me entendem, senhoras e senhores? Não me importa mais, para bom entendedor, meia letra basta, porque as palavras se completam, e as feições corporais também. Meus olhos jamais mentiram para ninguém, mas não me responsabilizem, por favor, se os induzi a erro. Não é minha culpa se acreditam nas falácias que crio em meu canteiro. Há apenas o horizonte a minha vista, mas eu o olho verticalmente.
Adeus, meus amores.
Maria Antonieta
Senhoras e senhores, minha vida é um show, um show a que ninguém deveria assistir, que eu deveria estar solitariamente no palco, ensaiando meu monólogo eternamente, ou não tão eternamente, apenas o suficiente para no momento em que eu criar coragem em abrir o espetáculo ao público, cair desfalecida num cartaz qualquer. Uma recordação para alguém.
Mas é como digo, se o devido fosse impossível de não cumprimento, qual a graça da vida?
Sabeis bem, meus futuros filhos, que vós sois minha prole, meu legado ao mundo. Vós sois minha continuação arbitral, um mero braço que aos poucos fazeis de corpo inteiro, e ainda vos fareis de clones, e relegareis vossos próprios braços ao mundo que sobrevirá a nós todos. Uma espiral do terror.
Não me entendem, senhoras e senhores? Não me importa mais, para bom entendedor, meia letra basta, porque as palavras se completam, e as feições corporais também. Meus olhos jamais mentiram para ninguém, mas não me responsabilizem, por favor, se os induzi a erro. Não é minha culpa se acreditam nas falácias que crio em meu canteiro. Há apenas o horizonte a minha vista, mas eu o olho verticalmente.
Adeus, meus amores.
Maria Antonieta
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Já pensou em criar asas?
Aprender a voar, volitar peloa áureos campos de flores terrenas, Aprender a amar o perfume daqueles que não pensam, só pelo próprio milagre da essência que desmancha ao toque do vento.
Amar até o mais infímo fõlego de pulmão sobrecarregado por anos de cigarros.
O desafio do Sol que desmantelado vence a Lua levando o dia a todo lugar que andarilha, apagando a noite em que a bela atrai os mares à sua beleza.
Lugar para poucos, calmaria. Como o dia que vi bicicletas flutuantes, conforme a leveza da mente, frequência espiritual. Isso é outra hitória.
Aprender a voar, volitar peloa áureos campos de flores terrenas, Aprender a amar o perfume daqueles que não pensam, só pelo próprio milagre da essência que desmancha ao toque do vento.
Amar até o mais infímo fõlego de pulmão sobrecarregado por anos de cigarros.
O desafio do Sol que desmantelado vence a Lua levando o dia a todo lugar que andarilha, apagando a noite em que a bela atrai os mares à sua beleza.
Lugar para poucos, calmaria. Como o dia que vi bicicletas flutuantes, conforme a leveza da mente, frequência espiritual. Isso é outra hitória.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Enya
Meus pés se desfizeram sobre sobre o chão, as marcas dos calçados gravaram na crocância das rochas.
"Os dias estão começando a se misturar" - Jake Sully
O céu está grisalho de tão velho, as penas nas nuvens se esfarelam quando o vento chega, roubando a cena, e elas caem dos céus, caem para cima, libertando-se da força gravitacional da mente; das mentes dementes descrentes de crentes, cretinos, crescidos, criativos joões e marias que trocaram os doces das paredes pelo brilho diamantoide.
Toque de alma, um beijo dilatado, lascas de asas insetíceas que rodopiam em volta do perfume. Nauseiam tudo a sua volta, até entorpecer num torpor tão gostoso que por mais que definhe o corpo de nutrientes sempre anseiam pelo próximo sonho. Só a fluidez do carma, e a leveza inseparável da arma, entes concebidos sem a ilusão da perpetuidade.
Tu sei l'anima de mio core.
E a vaga da onda, vermelha, arrasta sóis de claves para dentro de si, enterrando junto à areia da praia esquecida as canções que o tempo fez quando da praia era lembrado. Mas o tempo esqueceu da praia, rocha virou praia e a praia virou coral, de coral ninguém lembra mesmo. Só uma lágrima, uma única por todos os grãos de areia perdido debaixo do cálcio.
"Os dias estão começando a se misturar" - Jake Sully
O céu está grisalho de tão velho, as penas nas nuvens se esfarelam quando o vento chega, roubando a cena, e elas caem dos céus, caem para cima, libertando-se da força gravitacional da mente; das mentes dementes descrentes de crentes, cretinos, crescidos, criativos joões e marias que trocaram os doces das paredes pelo brilho diamantoide.
Toque de alma, um beijo dilatado, lascas de asas insetíceas que rodopiam em volta do perfume. Nauseiam tudo a sua volta, até entorpecer num torpor tão gostoso que por mais que definhe o corpo de nutrientes sempre anseiam pelo próximo sonho. Só a fluidez do carma, e a leveza inseparável da arma, entes concebidos sem a ilusão da perpetuidade.
Tu sei l'anima de mio core.
E a vaga da onda, vermelha, arrasta sóis de claves para dentro de si, enterrando junto à areia da praia esquecida as canções que o tempo fez quando da praia era lembrado. Mas o tempo esqueceu da praia, rocha virou praia e a praia virou coral, de coral ninguém lembra mesmo. Só uma lágrima, uma única por todos os grãos de areia perdido debaixo do cálcio.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Lux laudavit procellum
Pensando bem a individualidade é o único potencial que assusta o ser humano. Ser indíviduo a ponto de ser tão único e diferente é tão abrasador à alma que deveria ser alertado que faz mal. Entendo Schopenhuer, no topo da montanha realmente todos parecem pequeninos e iguais, sem quaquer atrativo interessante para despertar a curiosidade em sabê-los. Mas não entendo Schopenhauer, esse não pode ser o certo, viver ermitado em cima da montanha. Acabo que só me resta o alfabeto, com que posso brincar a vontade até esquecer que a neve me afoga.
De sacrícios posso me dizer perita, e doei tanto que até meu hermetismo de dizer-me em terceira pessoa, ou simplesmente fundir-me ao abstrato das coisas vazou. Uma vida salva, outra perdida, a rotina parece que não muda. Quando acho que estou perto de aflorar à superfície do gelo - gelo este que construí na borda de cima do lago que caí - aparece mais uma pedra, a qual me agarro e afundo como se disso dependesse minha existência.
Não há mais leitores, nem quero que hajam. Mas se houvesse, eu diria: ó leitor, por que teimo em ganhar sabendo que nunca será meu, mas que quando eu achar que está para ser aquilo me perde de vista? No meu pulso faltou coragem ou sobrou? Um dia me disseram que é preciso mais coragem para se viver depois que se tira a capa de gloss do mundo que para abandonar todos torcendo pra ninguém mais espie por debaixo da lona.
A magia nunca foi tão tempestuosa, igual nos filmes, os raios dão tanto medo que até hipnotizam e te fazem tirar fotos de tão bonito. Mas, o que é um raio senão um pingo de luz, geralmente conhecemos pingos de água, mas raios são pingos feitos de luz. A luz que de tão vibrante e densa destrói tudo que vê pela frente. Lux laudavit procellam.
De sacrícios posso me dizer perita, e doei tanto que até meu hermetismo de dizer-me em terceira pessoa, ou simplesmente fundir-me ao abstrato das coisas vazou. Uma vida salva, outra perdida, a rotina parece que não muda. Quando acho que estou perto de aflorar à superfície do gelo - gelo este que construí na borda de cima do lago que caí - aparece mais uma pedra, a qual me agarro e afundo como se disso dependesse minha existência.
Não há mais leitores, nem quero que hajam. Mas se houvesse, eu diria: ó leitor, por que teimo em ganhar sabendo que nunca será meu, mas que quando eu achar que está para ser aquilo me perde de vista? No meu pulso faltou coragem ou sobrou? Um dia me disseram que é preciso mais coragem para se viver depois que se tira a capa de gloss do mundo que para abandonar todos torcendo pra ninguém mais espie por debaixo da lona.
A magia nunca foi tão tempestuosa, igual nos filmes, os raios dão tanto medo que até hipnotizam e te fazem tirar fotos de tão bonito. Mas, o que é um raio senão um pingo de luz, geralmente conhecemos pingos de água, mas raios são pingos feitos de luz. A luz que de tão vibrante e densa destrói tudo que vê pela frente. Lux laudavit procellam.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Alusões
A calefação do corpo, proporcionada pelas próprias células em seu metabolismo automatizado, insistência desproporcional, é descabimento de sentido. O calor propaga e contamina, infectando de ilusões os corpos almados de efemeridade, é a cruz e o carma, foi luz e será farda. As botas são apenas metáfora, não há proteção contra o lodo, e nem deve haver; nossos vermes são os instintos, que nos puxam da realidade como se isso nos isentasse de presenciá-la.
A verdade é desesperadoramente cruel: não há salvação quando esta se reside na impotência do ato de ser. Os sentidos não revelam a realidade, Horácio, negá-los tampouco. Acontece, Horácio, que Shakespeare foi o maior dos filósofos ao resumir a tragédia a um fim unânime; ainda assim é chocante sabê-la como próprio destino.
E tudo culmina num só encanto, numa só finalidade; a cátedra e o canto corroem-se pela própria enfermidade. É a praga que se alastra ou a maldição que termina? Eis a pergunta da humanidade, a causa das guerras, mãe do egoísmo, a vítima e o algoz personificados num só, diferenciados pelo ângulo somente (esquerdo e direito).
E o que resta, os restos de uma vida inteira de memórias, até parecem serem feitas para o esquecimento. Esquecidas, não, roubadas das próprias entranhas cujo único propósito é despejá-las no depósito da história da humanidade, que fica no centro da Terra, devidamente carbonizadas, desidratadas de todo soro fisiológico, sangue e pele. O último suspiro equivale a um último pensamento cacófato: o rato roeu a roupa do rei de Roma, mas era só um rato e uma roupa.
A verdade é desesperadoramente cruel: não há salvação quando esta se reside na impotência do ato de ser. Os sentidos não revelam a realidade, Horácio, negá-los tampouco. Acontece, Horácio, que Shakespeare foi o maior dos filósofos ao resumir a tragédia a um fim unânime; ainda assim é chocante sabê-la como próprio destino.
E tudo culmina num só encanto, numa só finalidade; a cátedra e o canto corroem-se pela própria enfermidade. É a praga que se alastra ou a maldição que termina? Eis a pergunta da humanidade, a causa das guerras, mãe do egoísmo, a vítima e o algoz personificados num só, diferenciados pelo ângulo somente (esquerdo e direito).
E o que resta, os restos de uma vida inteira de memórias, até parecem serem feitas para o esquecimento. Esquecidas, não, roubadas das próprias entranhas cujo único propósito é despejá-las no depósito da história da humanidade, que fica no centro da Terra, devidamente carbonizadas, desidratadas de todo soro fisiológico, sangue e pele. O último suspiro equivale a um último pensamento cacófato: o rato roeu a roupa do rei de Roma, mas era só um rato e uma roupa.
terça-feira, 29 de setembro de 2009
A sinfonia
Cofres com garras no lugar do coração, sangue feito de tinta cuja cor não é visível, cujo sangue não é palpável, mas é respirável, não pelos pulmões, mas pelo fígado, direto pros olhos. Estes sem lágrimas, seco, isento de sensibilidade à luz.
As mãos não lavam mais embaixo das unhas, não é importante, não é necessário, não é possível. Viraram engraxates de botas. Couro sintético que não eriça ao toque, anel magnético cujo pecado foi atrair o amor. Barganha de sentimentos, maldito comércio clandestino. Não há trocas, só ônus unilaterais de ambos lados.
Minha alma é morta, sou uma carcaça sem dentes, uma fera sem unhas, um sorriso sem face, sem classe, um impasse de ser o que não quero, e não poder escolher meus sapatos, minhas pegadas me foram impostas. Não são minhas digitais.
—Hoje eu não sou
—E ontem?
—Ontem eu era.
Tramitação involuntária da aorta na coluna vertebral. Paralisa as pernas quando apenas atacara o sistema nervoso. Sem pernas, sem pés. O tempo não passa mais, a vida não vive ais, é o calcanhar de Aquiles de Hades. No final das contas, eu perco de todo jeito.
As mãos não lavam mais embaixo das unhas, não é importante, não é necessário, não é possível. Viraram engraxates de botas. Couro sintético que não eriça ao toque, anel magnético cujo pecado foi atrair o amor. Barganha de sentimentos, maldito comércio clandestino. Não há trocas, só ônus unilaterais de ambos lados.
Minha alma é morta, sou uma carcaça sem dentes, uma fera sem unhas, um sorriso sem face, sem classe, um impasse de ser o que não quero, e não poder escolher meus sapatos, minhas pegadas me foram impostas. Não são minhas digitais.
—Hoje eu não sou
—E ontem?
—Ontem eu era.
Tramitação involuntária da aorta na coluna vertebral. Paralisa as pernas quando apenas atacara o sistema nervoso. Sem pernas, sem pés. O tempo não passa mais, a vida não vive ais, é o calcanhar de Aquiles de Hades. No final das contas, eu perco de todo jeito.
sábado, 15 de agosto de 2009
Calígula parte I
Algumas vezes o sol não se dá conta que quando aquece demais, queima. Assim são as pessoas, como dizia Schopenhauer: somos todos porcos-espinho, se chegamos muito perco nos espetamos, se nos afastamos em demasia sentimos frio. Tem casos que o espinho entra tão fundo que dói mais tirá-lo de si que deixar o outro por perto.
Tem dias que a sensação é de que as feridas sangram mais do que se consegue repôr. O ar sai do pulmão para espremer o coração. Seja pela falta ou pelo excesso. Não há como esquecer o toque das mãos, ou os olhares penetrantes, como lança. Te espeta sem pedir, e fisga, e tira o chão dos pés. Ou então o vento frio, cortante, que quando passa leva um pouco da sua vida consigo. Enfraquecido, é assim que se fortelece. E a vida que nos leva não é recuperada. Por isso que morremos. Porque a vida para vivermos eternamente foi sendo-nos roubada aos poucos, tão aos poucos que nem notávamos.
Tenta-se não morrer, usamos roupas para nos esconder do vento. mas a lã é fina, e não protege ad eternum. O frio sempre consegue nos penetrar atpe os ossos para de lá assaltar a medula. Medimos a qualidade de vida, que nada mais é a quantificação bestial dos nossos valores dentro da realidade submetida aos valores sociais. Mas isso é só outra suposição. Talvez não valesse a pena pensar se não fôssemos uma sociedade, se não tranmitissimos valores e aprendizados, cultura. Aculturados. Apenas outro blá blá blá de quem não viveu experiências que defende.
Tem dias que a sensação é de que as feridas sangram mais do que se consegue repôr. O ar sai do pulmão para espremer o coração. Seja pela falta ou pelo excesso. Não há como esquecer o toque das mãos, ou os olhares penetrantes, como lança. Te espeta sem pedir, e fisga, e tira o chão dos pés. Ou então o vento frio, cortante, que quando passa leva um pouco da sua vida consigo. Enfraquecido, é assim que se fortelece. E a vida que nos leva não é recuperada. Por isso que morremos. Porque a vida para vivermos eternamente foi sendo-nos roubada aos poucos, tão aos poucos que nem notávamos.
Tenta-se não morrer, usamos roupas para nos esconder do vento. mas a lã é fina, e não protege ad eternum. O frio sempre consegue nos penetrar atpe os ossos para de lá assaltar a medula. Medimos a qualidade de vida, que nada mais é a quantificação bestial dos nossos valores dentro da realidade submetida aos valores sociais. Mas isso é só outra suposição. Talvez não valesse a pena pensar se não fôssemos uma sociedade, se não tranmitissimos valores e aprendizados, cultura. Aculturados. Apenas outro blá blá blá de quem não viveu experiências que defende.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Contastações
Da morte fica a dor de quem não foi, embora esta seja menor que a de quem ficou.
E ceifa a morte os diversos caminhos e faz-se sentir remoendo os trilhos; brilha a luz que guia os andarilhos. A sua foice não se faz juíza, o seu coice sente-se como brisa; e o laço se parecer roto - que engano! - é o limite do calabouço.
Até a neve fez-se negra de tanto chorar. Até as frestas no telhado estavam cansadas da solidão. Até o palhaço foi exausto de suas forças, despido de qualquer inibição, caiu de joelhos, só queria a última piada; calou seus olhos com uns óculos, apagou o sorriso dado pela maquiagem, o palhaço não passou pelo portal.
Uma gota pode ser mais densa que todo o oceano, dependendo por quem ela role, de quantas lembranças foram necessárias para ela ser produzida. Muitas vezes as lágrimas são feitas por remorso adoçado com saudade.
É um pedaço do coração que se vai, entretanto o coração é como uma estrela, quanto menor, mais denso e carregado. Até um dia implodir. Mesmo assim não há medo, há esperança, talvez. As memórias fluem na corrente sanguínea, infeccionam os sentimentos, se proliferam, contaminam tudo. É possível chegar num ponto em que qualquer coisa tem um sentido emocional; mesmo as palavras, elas são ocas sem sentimentos.
A morte é só o fim do início.
E ceifa a morte os diversos caminhos e faz-se sentir remoendo os trilhos; brilha a luz que guia os andarilhos. A sua foice não se faz juíza, o seu coice sente-se como brisa; e o laço se parecer roto - que engano! - é o limite do calabouço.
Até a neve fez-se negra de tanto chorar. Até as frestas no telhado estavam cansadas da solidão. Até o palhaço foi exausto de suas forças, despido de qualquer inibição, caiu de joelhos, só queria a última piada; calou seus olhos com uns óculos, apagou o sorriso dado pela maquiagem, o palhaço não passou pelo portal.
Uma gota pode ser mais densa que todo o oceano, dependendo por quem ela role, de quantas lembranças foram necessárias para ela ser produzida. Muitas vezes as lágrimas são feitas por remorso adoçado com saudade.
É um pedaço do coração que se vai, entretanto o coração é como uma estrela, quanto menor, mais denso e carregado. Até um dia implodir. Mesmo assim não há medo, há esperança, talvez. As memórias fluem na corrente sanguínea, infeccionam os sentimentos, se proliferam, contaminam tudo. É possível chegar num ponto em que qualquer coisa tem um sentido emocional; mesmo as palavras, elas são ocas sem sentimentos.
A morte é só o fim do início.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
As máquinas
A personalidade fez-se em átomo, sua radiação penetrou-lhe os instintos e os modificou. Fez abraçar todo estímulo exterior e fê-los sentimentos, para sentir todo um sabor inigualável de explosão e mesmo de tédio. Ainda era máquina? Perguntava-se, afinal, sentia dor, tédio, amor, compa~izão, passou até a crer que era vivo e que continuaria após ser desligado. Passou a acreditar que havia alguém onipotente, onipresente que era criador de tudo. Seus parafusos eram de átomos, carbonos que se renovavam continuamente. Era vivo! Amava viver, mas viver também é sofrer, ter perdas, pedras, pedradas...
Máquina sabe da sua prórpia existência? Era só uma máquina... máquina de trabalhar, fazer patrão ganhar dinheiro, máquina de ganhars dinheiro para quando chegar no fim da existência gastá-lo com recursos para prolongá-la mais um pouco, só mais um pouco, mas nunca o suficiente. Era máquina também de pensar; mas parou de pensar em si quando pensou em ser o melhor de todos, em vez de ser o melhor de si.
Máquina despida de humanidade, máquina cuja essência foi um dia a humanidade, assim como a cadeira tem cadeiridade para ser cadeira os seres humanos possuem individualidade, não são mais humanos, são máquinas, como o eram antes, no estado de natureza. Voltaram a ser indivíduos, voltaram a ter liberdade sem fronteiras. màquinas não tem sentimentos, máquinas não vivem, máquinas só querem ser infinitas ao invés de intensas. Máquinas´são úteis, e não amáveis. Máquinas são só máquinas.
Máquina sabe da sua prórpia existência? Era só uma máquina... máquina de trabalhar, fazer patrão ganhar dinheiro, máquina de ganhars dinheiro para quando chegar no fim da existência gastá-lo com recursos para prolongá-la mais um pouco, só mais um pouco, mas nunca o suficiente. Era máquina também de pensar; mas parou de pensar em si quando pensou em ser o melhor de todos, em vez de ser o melhor de si.
Máquina despida de humanidade, máquina cuja essência foi um dia a humanidade, assim como a cadeira tem cadeiridade para ser cadeira os seres humanos possuem individualidade, não são mais humanos, são máquinas, como o eram antes, no estado de natureza. Voltaram a ser indivíduos, voltaram a ter liberdade sem fronteiras. màquinas não tem sentimentos, máquinas não vivem, máquinas só querem ser infinitas ao invés de intensas. Máquinas´são úteis, e não amáveis. Máquinas são só máquinas.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Carta de despedida
Queridos amigos e amigas. Já não sou mais eu quando do relato desta carta. Sei que muitos de vocês estão cansados com seus próprios problemas. Eu também estou com os meus. Amigos, resolvi derrotá-los de uma vez, derrotar minha parca vida de uma vez por todas. Dizer adeus a esta personalidade é o menor dos males do meu jazigo, talvez nem male seja deixar de ser.
Renascer em outro ser, outro corpo e deixar meu passado no passado. Matar minha antiga existência e descobrir uma nova face do mundo, da essência. Olhei pela janela pela última vez, décimo andar desse edifício de 30 andares comerciais. Nunca mais terei essa vista, mas esse fato não dói. É um consolo saber que de hoje em diante o céu será minha morada, em vez de simplesmente um quadro na parede que na maioria do tempo deixei coberto para não atrapalhar o visor do meu computador. Subi no peitoral da janela e gritei: Eu venci!
Planei por alguns eternos segundos, finalmente me senti livre de toda a pressão, dor, mesmo do mundo. Planei mentalmente enquanto imaginava como seria a outra vida. Amanhã seria um novo dia; mas apenas para mim, os outros talvez nunca sentirão a liberade que agora vou experimentar, ah, os outros, estes nunca hão de sentir a liverdade enquanto petrificarem conceitos e definir o que é ser livre.
Eles dizem que são livres, será mesmo? Amigos, nem vocês são livres. Todos vocês, amigos e outros, acham que liberdade é ter poder dentro do sistema social, ou então acham que é se excluir do sistema social porque este encarcera. Há! Liberdade está no micro, não no macro... Enxerguem com seus olhos o que é sentir-se livres. Dou um fígado àqueles que me disserem que não se imaginam felizes sendo livres, para ser o que quiser, viver onde bem entender, plenamente. Essa palavra faz uma falta, não? Bem, descobri apenas agora, no último dia antes de eu completar 50 anos de vida que liberdade é sentir-se feliz com sua própria essência, e a prisão é estrangular a externações de sua essência para servir ao seu achismo superficial. Amigos, eu cansei disso, estou livre! Estou deixando essa carta para que não se preocupem, agora eu sou do mundo, o mundo do circo. Pois é, sou um palhaço profissionalmente agora, cansei de ser palhaço da vida.
Adeus, meus amigos, adeus. Amo cada um de vocês.
Renascer em outro ser, outro corpo e deixar meu passado no passado. Matar minha antiga existência e descobrir uma nova face do mundo, da essência. Olhei pela janela pela última vez, décimo andar desse edifício de 30 andares comerciais. Nunca mais terei essa vista, mas esse fato não dói. É um consolo saber que de hoje em diante o céu será minha morada, em vez de simplesmente um quadro na parede que na maioria do tempo deixei coberto para não atrapalhar o visor do meu computador. Subi no peitoral da janela e gritei: Eu venci!
Planei por alguns eternos segundos, finalmente me senti livre de toda a pressão, dor, mesmo do mundo. Planei mentalmente enquanto imaginava como seria a outra vida. Amanhã seria um novo dia; mas apenas para mim, os outros talvez nunca sentirão a liberade que agora vou experimentar, ah, os outros, estes nunca hão de sentir a liverdade enquanto petrificarem conceitos e definir o que é ser livre.
Eles dizem que são livres, será mesmo? Amigos, nem vocês são livres. Todos vocês, amigos e outros, acham que liberdade é ter poder dentro do sistema social, ou então acham que é se excluir do sistema social porque este encarcera. Há! Liberdade está no micro, não no macro... Enxerguem com seus olhos o que é sentir-se livres. Dou um fígado àqueles que me disserem que não se imaginam felizes sendo livres, para ser o que quiser, viver onde bem entender, plenamente. Essa palavra faz uma falta, não? Bem, descobri apenas agora, no último dia antes de eu completar 50 anos de vida que liberdade é sentir-se feliz com sua própria essência, e a prisão é estrangular a externações de sua essência para servir ao seu achismo superficial. Amigos, eu cansei disso, estou livre! Estou deixando essa carta para que não se preocupem, agora eu sou do mundo, o mundo do circo. Pois é, sou um palhaço profissionalmente agora, cansei de ser palhaço da vida.
Adeus, meus amigos, adeus. Amo cada um de vocês.
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